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Pequeno tesouro

Ganhei do Antônio Carlos Bola Harres esse maravilhoso presente há alguns anos atrás. Achado em uma loja de antiguidades, vindo do Egito, é um busto de Bast (antropomórfica) em argila. Meu amuleto e pequeno tesouro!



Gatos, Mitos e Folclores

foto: giane portal / fofurasfelinas

Selecionei para publicação alguns mitos e folclores com características positivas a respeito dos gatos.

:: No Egito Antigo, onde se venerava a Deusa Gata Bast, associada a fecundidade e benfeitora e protetora do homem, matar um gato era crime punido com a morte. Foram encontradas muitas múmias de gatos com camundongos embalsamados ao lado, para alimentá-los na Grande Viagem. Quando o gato de uma família morria, todos os membros dessa família raspavam as sobrancelhas em sinal de luto. A palavra egípcia para gato é mau, que também significa ver. Para saber mais sobre gatos e o Egito, clique aqui.

foto: giane portal / fofurasfelinas

:: Na Europa, acreditava-se que um gato com a pata por trás da orelha ou bocejando era sinal de chuva e que um gato ronronando significava bom tempo. Também no Camboja os gatos trazem a chuva, existindo mesmo um antigo ritual em que um gato é levado de aldeia em aldeia e aspergido com água.

:: Na China, atribuía-se aos gatos o poder de se vingarem dos seus assassinos. Os chineses também atribuíam aos gatos o poder de prever o tempo. O gato que piscava anunciava chuva.

:: Na Tailândia, onde acreditava-se que as almas das pessoas muito evoluídas migravam para o corpo de um gato e depois subia aos céus, havia um ritual em que um gato era enterrado vivo junto com o morto. No túmulo havia um buraco para que o animal saísse, e assim os monges sabiam que a alma já havia penetrado em seu corpo.

:: Na Índia o gato era símbolo dos nascimentos.

foto: giane portal / fofurasfelinas

:: Nos tempos antigos acreditava-se que as bruxas tomavam a forma de seus gatos durante a noite.

:: Os celtas acreditavam que os gatos conviviam com os elementais, fazendo um elo entre o mundo invisível e o nosso. Através dos olhos felinos, como janelas, os homens conheciam o mundo mágico. Do outro lado, os elementais saberiam de nós da mesma forma.

foto: giane portal / fofurasfelinas

:: Uma lenda russa fala de um gato sábio que passava seu tempo aninhado no alto de um pilar de ouro, cantando baladas e contando histórias para o povo que se reunia em volta dele.

:: A tribo Jakur, da Malásia, venerava os bichanos. Acreditavam que um gato os guiaria, depois da morte, numa viagem através das terras infernais, rumo ao paraíso. O gato tornaria a caminhada suportável para as pobres almas, usando seu poderoso spray para refrescar o inferno.

:: Na Pérsia se acreditava que um espírito irmão, o Hemzad, nascia ao mesmo tempo que cada homem, destinado a lhe fazer companhia pela vida afora. Os Hemzad adotavam a forma de um gato preto para vir ao mundo.

:: Maomé amava tanto sua gata Muezza que não gostava de se separar dela; assim ela dormia nas mangas largas de sua túnica. Em certa ocasião, Maomé estava precisando vestir-se para sair, e encontrou a gata dormindo tranqüilamente sobre a manga de sua túnica. Maomé preferiu então cortar a manga da túnica a acordar a gata.

foto: giane portal / fofurasfelinas

:: Na tradição muçulmana o gato é dotado de baraka, a chama sagrada do espírito.

:: Na Escócia e na Irlanda se acredita que as gatas calico [laranja, branco e preto] ou escama de tartaruga [preto ou cinza com amarelo ou laranja] trazem extrema boa sorte a seus lares. Ainda na Escócia, acredita-se que encontrar gatinhos pretos sentados na entrada de suas casas é um sinal de riquezas e felicidade vindouras.

:: Nas lendas nórdicas, aparece a deusa do Freya, cuja carruagem era puxada por dois gatos brancos, Bygul (cabeça de ouro) e Trjegul (árvore do âmbar dourado) que representavam as qualidades da deusa, a fecundidade e a ferocidade.  Após servirem a Deusa por 7 anos, eles foram recompensados sendo transformados em bruxas, disfarçadas em gatos pretos. Os templos pagãos eram freqüentemente adornados com imagens de gatos.

:: Na Finlândia, havia a crença em um trenó puxado por gatos que levava as almas dos mortos.

:: Quando o monstro Typhon decidiu usurpar o lugar de Zeus, vários deuses gregos fugiram para o Egito. Entre eles Ártemis, que tomou forma de uma gata. Interessante mito para explicar o sincretismo entre o panteão grego e o egípcio.

:: No Japão e na Inglaterra, os gatos pretos são associados com boa sorte. Superstições de boa sorte incluem: possuir um gato preto, que um gato preto o cumprimente em uma porta, que um gato preto entre em sua casa, encontrar três gatos pretos em sequência, tocar um gato preto.

:: No Japão, um gato com a pata levantada é um dos símbolos da boa sorte, conhecido por Maneki-Neko. Saiba mais sobre Maneki Nekos clicando aqui.

foto: giane portal / fofurasfelinas

Referências:

http://tsaraciganopablo.blogspot.com/2010/06/freya-deusa-da-fertilidade-e-dos-gatos.html
http://valkyriefreya.blogspot.com/2008/05/sobre-gatos-e-fatos.html
http://santapelucia.cjb.net/
http://www.theoi.com/Olympios/ArtemisMyths.html
http://www.csicop.org/superstition/library/black_cats/
http://www.best-cat-art.com/black-cats.html


Gatos, Egito & Astrologia – Parte 3

Foto: fofurasfelinas. Todos os direitos reservados.

“Uma das mais incompreendidas características da vida egípcia é a veneração dos gatos, cujos corpos mumificados têm sido encontrados aos milhares. Minha teoria é que o gato foi o modelo da singular síntese de princípios do Egito.”

Recebi hoje de João Acuio, autor do badaladíssimo Saturnália, um texto incrível de Camille Paglia publicado por ele em seu blog. Absurda sincronicidade com os posts Gatos, Egitos e Astrologia, partes 1 e 2, publicados por mim aqui.

Mais uma vez, a relação mágica entre a Astrologia (post feito por um astrólogo), o Egito e os felinos!

Clique aqui e leia o texto completo. Imperdível.

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Gatos, Egito & Astrologia – Parte 2

No post anterior, publiquei alguns fatos interessantes sobre os Egípcios e suas relações com os cosmos. O povo do Antigo Egito era profundamente orientado por uma visão do sagrado no seu dia-a-dia e atividades mais rotineiras.  É a fusão da casa 6 (a lida diária, a rotina) com a casa 12 (o além mundo), de Virgem (o terreno) e Peixes (o sagrado)… A integração dos opostos aparentes.

A mitologia Egípcia é narrada através de inúmeros Neteru, um conceito erroneamente traduzido como deuses. Na realidade, não existem deuses egípcios – e sim ASPECTOS de uma divindade única. Assim, os Neteru nada mais são do que faces de uma única divindade, que assumem características de personagens, com personalidades e funções distintas. Trata-se de um monoteísmo verdadeiro, e mais uma vez percebemos o aspecto de integração de opostos, visto que a mesma divindade é multifacetada, englobando tanto o “bem” quanto o “mal”.

E onde os gatos entram nessa história? Bem, o povo Egípcio cultivava e armazenava cereais, então a aproximação com os gatos acabou sendo providencial para ambas espécies. Este povo acabou desenvolvendo uma relação de muita proximidade com seus felinos: era considerado crime grave maltratar um gato, e quando um gato morria, seus humanos raspavam as sombrancelhas em sinal de luto.  No século XIX foram encontrados por arqueologistas diversos cemitérios felinos com milhares de gatos mumificados. Oscar Quiroga me comentou uma vez, em uma interessante conversa sobre felinos: “se mal não lembro, no egito os gatos ajudavam a treinar a arte da telepatia e da visão astral”.

Bast em sua forma felina

Assim, os egípcios não necessariamente veneravam gatos, mas mantinham com esses seres uma relação muito próxima, reconhecendo neles a presença da divindade. Tanto é que segundo o livro “The Complete Gods and Goddesses of Ancient Egypt“, existiam nada menos que 16 Neteru felinos, entre gatos e leões:  BAST (esta é a grafia correta),  SEKHMET,  AKER, APEDAMAK,  BES, MAHES,  MEKHIT, MENHYT, MESTJET, MUT, PAKHET, RUTY, SERET, SHESMET, TEFNUT, TUTU. Encontramos Bast retratada tanto em sua forma felina, como em forma humana com a cabeça de uma gata.

Bast

Bast é associada a música, dança, alegria e prazeres. Os hieróglifos de seu nome representam dois pães e um frasco de perfume (perfumes eram muito apreciados no Egito antigo, e devo confessar que pessoalmente aromas me fascinam). É também ligada a fertilidade e maternidade. Bast era uma Neter bastante conhecida e cultuada. Foram descobertos templos a ela dedicados em diversos pontos do Egito, sobretudo ao norte (baixo Egito). O centro de seus cultos era a cidade de Bubastis, ou em sua forma orginal, Per-Bast (casa de Bast). Segundo este site,  as oferendas a Bast incluiam estátuas de gatos, líquidos doces, menta, catnip, mel, perfumes e ungüentos (especialmente em jarros “bas” que eram parte da grafia de seu nome) – mas jamais gatos.

Hieróglifos para o nome de Bast

Entre seus símbolos, encontram-se o sistro, conectando-a com a musicalidade.  Um dos símbolos mais associados ao Egito antigo, o Udjat – ou famoso olho de Hórus – também na realidade é um símbolo de Bast. Uma das histórias conta que Hórus deu este amuleto a Bast, mas há também a versão de que ela o tenha ganho de Rá para que pudesse defendê-lo da serpente Apep. Vemos aí uma outra faceta da Neter, seu lado guerreiro (muitas vezes associado também a leoa Sekhmet). De qualquer maneira, Bast era considerada uma Neter de proteção.

Udjat

Assim, encerro o post sobre a relação entre três das minhas maiores paixões… Gatos, Egito e Astrologia. Para concluir, gostaria de comentar que, por esses fantásticos caminhos da vida, ganhei a minha primeira gata justamente de minha professora da astrologia na época, Tânia Rathman. Em homenagem aos astros, resolvi chamar a gatinha de Lua. Ela me ilumina até hoje, e traz um tanto dos mistérios do Egito para perto de mim em seus olhos cor de céu.

Lua


Gatos, Egito & Astrologia – Parte 1

Fico constantemente impressionada como as minhas três maiores paixões estão diretamente conectadas… serão memórias de outras vidas?

 

Desde criança sou apaixonada pelo Egito Antigo. É um universo que sempre me encantou, muito mais do que qualquer outra civilização da antigüidade. A arte, a cultura, a mitologia…tudo sempre me pareceu misterioso e fascinante – assim como sempre me pareceu misteriosa e fascinante a Astrologia, pela qual comecei a me interessar já na adolescência. Após algum tempo de estudo informal nessa área, deparei-me com a informação de que o Egito foi um dos berços da Astrologia (cujos primeiros registros foram encontrados na Mesopotâmia) e que o povo egípcio tinha uma estreita ligação com o cosmos e o céu.

Um dos exemplos é a orientação astronômica de diversos templos e monumentos.

Ísis (Auset) era identificada com a Estrela Sírius (da constelação Cão Maior), e Osíris (Ausar) com a constelação de Órion (Sah). Esses neteru (aspectos da divindade) eram consortes. Ausar era o Rei do Mundo dos Mortos e as pirâmides tinham funções funerárias. Hoje sabe-se que as três pirâmides de Giza foram construídas em alinhamento com a constelação de Órion, segundo Robert Bauval e Adrian Gilbert.

Além disso, na grande pirâmide de Queops, em Giza, existem quatro aberturas ou dutos – dois na Câmara do Rei e dois na Câmara da Rainha. A astrônoma Virginia Trimble descobriu que a abertura sul da Câmara do Rei se alinhava com a constelação de Órion na época em que a pirâmide foi construída, e a abertura sul da Câmara da Rainha, com a estrela Sírius.

O templo de Hathor, em Denderah,  também é repleto de alinhamentos astronômicos e simbolismos astrológicos, incluindo o conhecido Zodíaco de Denderah.

Zodíaco de Denderah

No próximo post, relações entre os gatos e o povo egípcio.


Nefertari’s Tarot

Nefertari’s Tarot, por P. Alligo & S. Alasia – Lo Scarabeo

Ontem chegou meu Tarot novo – encomenda da Amazon. Fiquei impressionada ao abrir a caixa e manusear as lâminas, maravilhosas, poderosas, lindas e bem acabadas. Aliás, o excelente acabamento é visível em todos os tarôs publicados pela Lo Scarabeo.

Eu estava atrás de um Tarot com temática egípcia, por que o Egito Antigo é outra de minhas grandes paixões. Eu já possuia o Egipcios Kier Tarot; entretanto, ele possui uma proposta que afasta-se muito da simbologia clássica e dilui até mesmo a estrutura  original (simplesmente não existe divisão entre arcanos maiores e menores, naipes e cartas da corte).

Assim, comecei a procurar um baralho que se aproximasse mais da simbologia original, e que também me agradasse esteticamente. Após analisar as lâminas de variados baralhos com temática egípcia, acabei optando por este. Queria um  Tarot para jogar, não apenas para fazer parte de minha coleção (o que acaba ocorrendo com decks que não são tão fiéis na simbologia, mas que são muito bonitos ou com uma temática interessante).

Gosto de trabalhar com Tarots que se aproximem de uma simbologia clássica porque, como diz Nei Naiff, “Tarô é Tarô”. O Tarot tem uma estrutura e simbologia próprias, e uma vez que você adquire estes conhecimentos, pode aplicá-lo em qualquer baralho. Entretanto, um baralho que conserve a simbologia original, ao meu ver, sempre sintoniza melhor com os significados próprios do Tarot. Acho estranho fazer a leitura de uma carta remetendo a uma simbologia quando nada disso está presente pictoricamente no Arcano. Como também utilizo o processo intuitivo, as imagens ajudam-me a sintonizar com a leitura; se são imagens muito distantes do sentido clássico, elas acabarão me levando a outro tipo de interpretação do que a original dessa ferramenta.

Arte

As lâminas são maravilhosas: borda preta e fundo laminado em dourado, com textura, dando a impressão de escovado. As ilustrações de Silvana Alasia são maravilhosas, muito bem executadas, lembrando muito as ilustrações egípcias de pergaminhos. A escolha de cores é fantástica, assim como a técnica de pintura, onde algumas áreas são “gastas”, dando a impressão de algo antigo. O design da lâmina não é o ponto forte (tipografia e diagramação), e o verso da carta deixa muito a desejar. Mas a beleza das ilustrações e da impressão compensa tudo.

Simbologia

Os Arcanos Maiores retratam a simbologia clássica adaptada para situações do cotidiano do Egito Antigo, ou de sua mitologia. A grande maioria das cartas aproxima-se muito da simbologia original, exceto a carta do Enforcado onde não encontramos o personagem suspenso de cabeça para baixo. Ainda assim, a ilustração traz a sugestão de contenção, paralisação, próprios deste Arcano. Os Arcanos Menores apresentam uma releitura bem adaptada das situações que retratam seus significados.


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