O Segundo Compromisso

Esses dias me deparei com uma situação de impasse em minha vida pessoal, onde tive dúvidas a respeito de minha conduta em determinada situação. Fui buscar aconselhamento com uma pessoa que admiro muito, por ser do raro tipo que reúne sabedoria e imenso conhecimento: Rodrigo Araês – que, entre tantas atividades exercidas, é também astrólogo.  Rodrigo foi um presente especial que a Astrologia colocou em meu caminho, um padrinho espiritual. Na ocasião, além de suas próprias palavras que por si só já portam uma incrível luz;  me enviou um texto que mudou minha vida e minhas perspectivas sob diversos aspectos, o qual compartilho aqui neste espaço.

Não leve nada para o lado pessoal

Os três compromissos seguintes na verdade se originam do primeiro. O segundo compromisso é: não leve nada para  o lado  pessoal.

O que quer que aconteça com você, não tome como pessoal. Usando o exemplo já mencionado, se o vejo na rua e digo: “Você é um estúpido”, sem conhecê-lo, não estou fa lando de você, estou falando de mim. Se você levar para o lado pessoal, talvez acredite que é estúpido. Talvez possa dizer para si mesmo: “Como ele sabe? Será clarividente ou todos percebem que sou estúpido?”.

Você leva tudo para o lado pessoal porque concorda com o que está sendo dito. Assim que concorda, o veneno passa através de você e o prende no sonho do inferno. O que causa a sua própria captura é o que chamamos de impor tância pessoal. Importância pessoal, ou levar as coisas para o lado pessoal, é a expressão máxima do egoísmo porque cometemos a presunção de achar que tudo é sobre “nós”. Durante o período de nossa educação, ou domesticação, aprendemos a levar tudo para o lado pessoal. Achamos que somos responsáveis por tudo. Eu, eu, eu e sempre eu!

Nada do que os outros fazem é motivado por você. É por causa deles mesmos. Todas as pessoas vivem em seu próprio sonho, em sua própria mente; estão num mundo completamente diferente do que aquele no qual vivemos. Quando levamos algo para o lado pessoal, presumimos que os outros sabem o que está em nosso mundo e tentamos impor nosso mundo ao deles.

Mesmo quando uma situação parece pessoal, mesmo que os outros o insultem diretamente, não tem nada a ver com você. O que eles dizem, o que fazem e as opiniões que emitem estão de acordo com os compromissos que as pes soas possuem em suas mentes. O ponto de vista deles pro vém de toda a programação que receberam durante a domesticação.

Se alguém emite uma opinião e diz “Nossa, como você engordou!”, não a leve para o lado pessoal, porque a ver dade é que essa pessoa está lidando com os próprios sen timentos, crenças e opiniões. Aquela pessoa tenta envene ná-lo, e, se você levar isso para o lado pessoal, então estará aceitando esse veneno, que se toma o seu. Levar as coisas para o lado pessoal toma você presa fácil para esses predadores, os feiticeiros de palavras. Eles conseguem captar sua atenção com uma pequena opinião e injetam todo o veneno que desejam; como você levou para o lado pessoal, aceita tudo.

Você aceita o lixo emocional deles, que passa a ser o seu. Se você não levar para o lado pessoal, estará imune, mesmo no meio do inferno. Imunidade ao veneno no meio do inferno é a dádiva desse compromisso.

Quando você leva as coisas para o lado pessoal, sente-se ofendido e sua reação é defender suas crenças e criar con flitos. Você faz uma tempestade num copo de água, porque tem a necessidade de estar certo e tomar todos os outros errados. Você também tenta estar certo, fornecendo suas próprias opiniões. Da mesma forma, o que quer que sinta e faça é apenas uma projeção de seu sonho pessoal, um reflexo dos próprios compromissos. O que você diz, o que faz e as opiniões que emite estão de acordo com os com­promissos que firmou – e esses compromissos nada têm a ver comigo.

Não é importante para mim o que você pensa sobre mim, então não levo para o lado pessoal. Não levo para o lado pessoal quando as pessoas dizem: “Miguel, você é o má ximo”, e não levo para o lado pessoal quando eles dizem:

“Miguel, você é péssimo”. Sei que, quando estiverem felizes, vão me dizer: “Miguel, você é um anjo”. Mas quando estão zangados, devem me dizer: “Você é nojento. Como pode dizer uma coisa dessas?”. De qualquer forma, não me afeta porque sei o que sou. Não tenho a necessidade de ser aceito. Não tenho a necessidade de ter alguém di zendo: “Nossa, como você é bom” ou “Como ousa dizer uma coisa dessas?”.

Não levo as coisas para o lado pessoal. O que quer que você pense, como quer que se sinta, sei que é problema seu, e não meu. É a forma como você vê o mundo. Não se trata de nada pessoal, pois você está lidando consigo mesmo, não comigo. Os outros vão ter outra opinião, de acordo com seu sistema de crenças; portanto, nada do que pensem sobre mim corresponde a mim, mas a eles.

Você pode me dizer: “Miguel,o que esta dizendo me magoa”. Mas não é o que estou dizendo que o está magoando; é que você possui ferida que eu toco com O que digo. Você está magoando a si mesmo. Não existe forma de eu levar para o lado pessoal.Não porque eu não acredite em você ou não confie em você,mas porque sei que enxerga o mundo com olhos diferentes, os seus olhos.Você cria  uma imagem ou um filme em sua mente, e nessa imagem você é o diretor, o produtor e o protagonista. Todos os outros são coadjuvantes. É o seu filme.

A forma como você vê esse filme é resultado dos com promissos que firmou com a vida. Seu ponto de vista é estritamente pessoal. Não é a verdade de ninguém, e sim a sua. Então,se você ficar bravo comigo,sei que está lidando consigo mesmo.Sou uma desculpa para você se irritar.E você fica bravo porque está lidando com o medo. Se não está com medo, não existe motivo para se irritar comigo. Se você não tem medo, não há motivo para me odiar. Se você não tem medo, não há motivo para sentir ciúme ou tristeza.

Se você vive sem medo, se ama, não existe lugar para essas emoções. Se não sentir nenhuma dessas emoções, é lógico que se sinta bem. Quando se sente bem, tudo ao seu redor está bem. Quando tudo ao seu redor está ótimo, qual quer coisa o faz feliz. Você está amando tudo ao redor porque está amando a si mesmo. Porque gosta da maneira como você é. Porque está contente consigo mesmo. Porque está contente com sua vida. Você está contente com o filme que está produzindo, contente com seus compromissos de vida. Você está em paz e sente-se feliz. Vive nesse estado de graça, no qual tudo é maravilhoso e tudo é tão bonito. Nesse estado de graça, você está produzindo amor o tempo todo com tudo o que percebe.

Em “Os Quatro Compromissos” de Dom Miguel Ruiz.

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3 comentários sobre “O Segundo Compromisso

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