O primeiro compromisso – parte 2

Dando sequência ao post de ontem…

Seja impecável com sua palavra

Observando as reações diárias dos seres humanos, ima­gine quantas vezes atiramos encantamentos uns nos outros com nossa palavra. Com o tempo, essa interação se toma a pior forma de magia negra, e a chamamos de mexerico ou fofoca.

Fofocar é praticar magia negra em seu pior aspecto, por­que é puro veneno. Aprendemos como fofocar firmando um compromisso. Quando éramos crianças, escutávamos os adultos ao nosso redor mexericando o tempo todo, dando abertamente suas opiniões sobre outras pessoas. Eles che­gavam até a emitir opiniões sobre pessoas que não co­nheciam. O veneno emocional era transferido com as opi­niões e aprendíamos que essa era uma forma normal de comunicar-se.

Mexericar tornou-se a forma principal de comunicação na sociedade humana. Tomou-se a forma de nos aproximar uns dos outros, porque nos faz sentir melhor ao ver que outros se sentem tão mal quanto nós. Existe uma antiga expressão que diz: “A miséria gosta de companhia”,e as pessoas que sofrem no inferno não querem ficar sozinhas.O medo e o sofrimento são uma parte importante no drama do planeta; são a maneira de o sonho do planeta nos manter abaixados.

Fazendo a analogia da mente humana com o computa­dor, as fofocas poderiam ser comparadas aos vírus. Um vírus de computador é um programa escrito na mesma linguagem que todos os outros códigos de programas, porém carrega uma intenção danosa. Esse código é introduzido no interior do programa do seu computador quando você menos espera, e sem o seu conhecimento. Depois que esse código foi introduzido, seu computador não funciona di­reito, ou simplesmente não funciona porque os códigos se confundem tanto com as mensagens conf1itantes que param de produzir os resultados esperados.

As fofocas humanas funcionam exatamente da mesma forma. Por exemplo, você está começando uma nova aula com um professor, e aguarda isso há muito tempo. No pri­meiro dia de aula, você se encontra com alguém que já cursou aquela matéria, que lhe diz :”Ah, aquele professor é um sujeito pernóstico. Ele não faz idéia sobre o que está falando e, cuidado já ouvi dizer que é tarado!”.Você imediatamente se impressiona com aquelas pala­vras e com o código emocional da pessoa quando disse isso, mas não está consciente das motivações dela para lhe dizer aquilo. Essa pessoa poderia estar irritada por não ter conseguido passar, ou simplesmente fazendo uma suposi­ção baseada em medo e preconceito; mas como você apren­deu a ingerir informações como uma criança, alguma parte do seu ser acredita na fofoca e você vai assistir à aula.

Enquanto o professor fala, você sente o veneno se for­mando em seu espírito e não percebe que está vendo o professor através dos olhos da pessoa que fez a fofoca. En­tão você começa a falar para as outras pessoas na classe da mesma forma: um pernóstico e tarado. Você odeia a aula, e logo decide desistir. Culpa o professor, mas a ver­dadeira culpada é a fofoca. Toda essa confusão pode ser causada por um único vírus de computador. Um pequeno trecho de desinformação pode interromper a comunicação entre pessoas, infectando cada indivíduo, que passa a contagiar outros. Imagine que cada vez que os outros fofocam com você, inserem um vírus de computador em sua mente, fazendo com que pense me­nos claramente. Depois imagine que, num esforço para lim­par a própria confusão e conseguir alívio do veneno, você fofoca e espalha esses vírus para mais alguém.

Agora, imagine esse padrão caminhando numa corrente infinita entre todos os seres humanos da Terra. O resultado é um mundo cheio de pessoas que podem apenas receber informações através dos circuitos entupidos com um vírus contagioso e venenoso. Uma vez mais, esse vírus venenoso é o que os toltecas chamam de mitote, o caos de milhares de vozes diferentes, todas tentando falar ao mesmo tempo na mente.

Ainda pior são os feiticeiros ou “hackers de computador”, os que intencionalmente espalham o vírus. Recorde a época quando você ou algum seu conhecido estava zangado com outra pessoa e desejava se vingar. Para buscar a vingança, você disse alguma coisa para ou sobre a pessoa com a in­tenção de espalhar veneno e fazer com que essa pessoa se sentisse mal consigo mesma. Quando crianças, fazemos isso sem pensar, mas quando crescemos nos tornamos muito mais calculistas em nossos esforços para rebaixar outra pes­soa. Então mentimos para nós mesmos e dizemos que essa pessoa recebeu um castigo justo para seus malfeitos.

Quando enxergamos o mundo através de um vírus de computador, é fácil justificar o comportamento mais cruel. O que deixamos de perceber é que o mau uso de nossa palavra está nos enterrando cada vez mais no sonho do inferno.

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2 comentários sobre “O primeiro compromisso – parte 2

  1. Gi, esse teu post é SENSACIONAL!!!! Muito bom mesmo menina. E olha, as vezes, mesmo sem perceber fazemos este tipo de “magia negra”… melhor termos cuidado mesmo. Um beijo querida! Amei!

    1. É forte, não é mesmo? Amanhã publico a terceira e última parte… Só reiterando (conforme citei no post anterior), este texto foi retirado do Livro “Os Quatro Compromissos – o Livro da Filosofia Tolteca”, de Don Miguel Ruiz.

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