Jogos Truncados

Acho que quase todo mundo que trabalha com Tarot já deve ter passado por pelo menos uma situação em que as cartas tiradas simplesmente NÂO FAZEM SENTIDO.

Bom, portadora de Saturno na Casa 3 no meu mapa Natal – o que resulta em uma eterna insegurança em relação ao conhecimento e uma certa obsessão por estudar –  durante muito tempo, enquanto ainda não exercia a atividade profissionalmente, ficava me sentindo um lixo e achando que o Tarot não era para mim. Decidi então escrever esse post para compartilhar a experiência com outras pessoas que eventualmente passem por isso, e para, se possível, ouvir a opinião dos colegas.

Ao tentar descobir por que alguns jogos parecem não fazer sentido, acabei chegando aos seguintes denominadores comuns:

1. Esquecia de pedir para o consulente cortar

Presencialmente ou virtualmente, para mim o corte funciona como uma autorização energética para abrir o jogo e ler seus símbolos. Não estou dizendo que isso faça parte do código de trabalho de todo tarólogo, mas faz parte do meu e TODAS as vezes que joguei sem cortar, o jogo saiu bizarro.

2. Consulente não formulava a questão de forma adequada

Sempre digo que a pergunta rege a resposta, não existe resposta no Jogo sem uma pergunta bem formulada. O que acontece, é que em diversas situações o cliente não sabe direito nem o que perguntar. Cabe ao tarólogo orientá-lo da melhor forma possível, no sentido de elaborar e lapidar a pergunta. Entretanto, por falhas de comunicação humana, estamos sujeitos a interpretar errado o que o cliente perguntou, e o Jogo se revela contando uma história que simplesmente não fecha com o que foi perguntado. Nesses momentos eu procuro dialogar com o cliente no sentido de examinarmos o que ele realmente queria saber quando estava tirando as cartas. Isso leva ao próximo item da lista:

3. Consulente não está concentrado no que perguntou

Para mim, o motivo mais comum. A pessoa verbaliza uma coisa mas está pensando em outra; faz a pergunta e quando está tirando as cartas está com a cabeça em outro lugar… Não está concentrada na questão. Aí sai um caos mesmo o jogo. Já vi tiradas onde a resposta era tão sem sentido diante do contexto geral que eu pedia para a pessoa me repetir EXATAMENTE no que estava pensando no momento em que tirou as cartas, e frequentemente a pessoa estava longe daquilo que havia verbalizado.

E sim, eu me comunico com meu cliente. Eu não sou vidente, médium ou adivinha, apesar de ter bastante sensibilidade e intuição. Eu vou construindo o jogo junto com o cliente, esse é meu estilo: tentar encontrar através das cartas uma luz, uma orientação para a situação vivida. 

Eu em geral não gosto de jogadas “gerais” porque acho muito genéricas, mesmo tendo a possibilidade de desmembrar cada área depois. Mas admiro e repeito os cartomantes que através de uma simples combinação de cartas conseguem “ver”  que tem uma pessoa nova no seu caminho, ou dinheiro entrando, dentro de uma jogada geral. Eu pessoalmente só consigo chegar a essas conclusões através de métodos específicos e perguntas adequadas.

4. Envolvimento emocional

Segue aqui meu último motivo para jogos truncados, motivo que leva vários tarólogos a evitar ler para si mesmos: o envolvimento emocional. Neste caso, não é que o jogo não faça sentido – a gente é que não consegue ler a simbologia, pois o plano racional não está isento – estamos impregnados de desejos, medos, sentimentos. Assim, fica complicadíssimo deixar a intuição e o conhecimento fluirem livremente sem serem distorcidos pelas nossas emoções. Se    temos uma ligação estreita com o consulente, ou mesmo uma empatia forte, precisamos tomar cuidado em dobro no momento da leitura, para que estejamos sempre comprometidos com a lâmina da verdade. 

 

 

 

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16 comentários sobre “Jogos Truncados

  1. Oi Giane!
    O corte para mim é fundamental na consulta presencial e facultativo na consulta virtual, vai do grau de acessibilidade desenvolvido durante a conversa.
    Não gosto de jogar com perguntas, sério. Prefiro ver primeiro tudo o que o baralho apresentar. E, mesmo a Cruz Celta sendo um jogo de pergunta/resposta, até com ela eu percebi maior facilidade trabalhando sem questionamentos prévios. Eu trabalho em três momentos distintos:
    1. As cartas falam – através de mim, evidentemente :).
    2. O consulente fala e direciona o andamento da consulta.
    3. Chegamos juntos, consulente e consultante, a um consenso sobre o melhor caminho diante das escolhas prévias ao jogo.
    A ausência de concentração do consulente é um complicador, sim; mas sempre considerei a concentração do cartomante soberana. Um cartomante centrado, atrai o centramento do consultante, alivia seus medos e guia a consulta adequadamente. Para o cartomante, jogar é um evento quase cotidiano; para o consulente, pode ainda ter uma aura de maravilhamento que beira o romance, mas afasta-se da realidade que ele foi buscar. É o cartomante que fará esse trabalho de readequá-lo à proposta.
    Curiosamente, quando estou envolvido emocionalmente, não tenho problemas. Para mim, a Carta Diagnóstico é o foco, sempre: se ela permite o jogo, eu jogo; senão, não jogo. Desde que passei a usar essa metodologia, raramente aconteceram “entruncamentos”.
    Acho que aqui entra um outro modificador: a crença, e não estou falando apenas de questões religiosas: o método nos deixa confortáveis, garantindo que, dentro da perspectiva proposta pelo nosso hábito, seremos competentes, e que, caso algo fuja ao pré-determinado, teremos o sinal que dirá que o jogo não fuirá a contento.
    Um beijo, Giane!

  2. Oi Emanuel! Amei os seus comentários e gostaria de trocar uma ideia com você…
    Vamos lá:

    1. E, mesmo a Cruz Celta sendo um jogo de pergunta/resposta, até com ela eu percebi maior facilidade trabalhando sem questionamentos prévios.

    > Mas não fica um pouco vaga a interpretação? Porque a gente sabe que podem abrir naipes diferentes para questões não correlatas… Por exemplo um espadas quando a questão é amorosa, um paus quando a questão é financeira, e por aí vai. Como você faz para detectar a área exata onde aquilo está se processando sem uma pergunta prévia?

    2. Estou me organizando para agendarmos pois tenho bastante curiosidade sobre seu método. Mesmo quando vc faz uma “geral”, é através do Tarot ou do baralho Cigano? Será que o tarot se presta tão bem a uma leitura específica sem pergunta? Enfim…

    3. Quanto à sua questão sobre a concentração, eu concordo plenamente, mas às vezes não temos como “entrar na mente” do cliente… Por que às vezes não há sinal aparente de dispersão.

    4. Quanto a Carta Diagnóstico, é um método que usei por muito tempo, mas abandonei depois de começar a jogar com uma dupla Maior + Menor. Mas estou tentada a reexperimentar… Geralmente eu consigo um bom distanciamento emocional com os clientes, mesmo os mais próximos, mas para mim mesma realmente existe uma flutuação maior!

    Um super obrigada!
    Gi

  3. Oi Giane! Não fica não. Na verdade, eu fui descobrir que a Cruz Celta era pergunta/resposta muito tempo depois de ter aprendido… Acho que é resquício do Tarô Mitológico, com sua abordagem subjetivista da leitura. Com o tempo e com as leituras de cartomancia pura e simples, eu fui vendo que as previsões não mudavam, era só uma questão de abordagem, mesmo. Quando eu jogo a Cruz Celta, eu me foco no momento do consulente, independentemente daquilo que ele veio perguntar. E as cartas vão guiando a leitura para aquilo que o consulente deseja, a partir de um panorama geral. Depois desse primeiro momento é que vamos para aquilo que o consulente deseja saber. A maior parte das vezes, o próprio jogo sem perguntas já respondeu a questão. No seu exemplo: se a pessoa vai para saber uma questão de amor, e sai uma carta de Espadas, será mesmo que o amor é a questão mais importante? Como estão os pensamentos do consulente sobre o que o afeta no momento? Quais são os obstáculos, empecilhos, entravamentos para a situação afetiva do consulente? O consulente é seguro de si, ou tem traumas que deveriam ser trabalhados – pelo cartomante ou por um profissional adequado?
    Desses questionamentos que desenrolo a leitura sem perguntas prévias. É na conversa com o cliente que as cartas são direcionadas para a questão, mas o recado já foi dado.
    Eu gosto de gerais com o Petit Lenormand/Baralho Cigano, mas não tenho problemas em utilizar o Tarot não. Na verdade, eu uso três jogos, apenas: Cruz Celta, Mesa Real (só com o Petit Lenormand) e Mandala Astrológica. Nunca tive problemas em não saber o questionamento inicial. Na verdade, a maior parte dos problemas decorreu disso, quando tentei adequar as cartas à pergunta antes de ler todas.
    Então, quando não há sinal aparente de dispersão, a Carta Diagnóstico revela. E nessa conversa pós Diagnóstico, a pessoa se acalma, se concentra, inspira o aroma do incenso… E dá certo.
    Eu até jogo para mim, mas numa perspectiva fatalista. Sério. Quando preciso de orientação, eu busco um colega, de preferência que utilize outro oráculo – runas ou quiromancia, por exemplo. Quando jogo para mim, me foco naquilo que é inexorável. É mais um aprendizado de até onde as cartas podem ir.
    Um beijo querida!

  4. Bem interessante essa sua abordagem, Emanuel. Eu uso um número maior de layouts, não muito maior que esse mas conforme o que estou buscando, utilizo um sistema específico.

    Quanto ao Tarô Mitológico, apesar de ser admirado por muitos, NUNCA estudei nem usei. A minha formação vem do Thoth, do Crowley, e posteriormente Rider Waite. Sei que existem coisas contraditórias nesses dois autores, mas de alguma forma, isso se concilia na minha cabeça. Claro que esses dois são as bases, mas sem dúvida estudo e leio bastante coisa sobre Tarots mais tradicionais (a la marselha). Mas talvez por me focar nesses dois exista um estilo de leitura que ainda não tenha me deparado em meu caminho.

    Este estilo de jogo, sem pergunta e mais voltado a questões profundas, eu fazia bastante no passado, com um layout que acompanhava o Thoth. A cruz celta, quando utilizada sem perguntas, assume realmente um teor semelhante a esse jogo.

    A mandala não sei porque me causa certa resistência, apesar de ser usada por muitos tarólogos que respeito. Acho que vou dar uma chance a ela nas minhas tiradas gerais. Na verdade acho que o que eu me implico com as gerais é que às vezes você não extrai informação muito específica com a combinação de arcanos que sai.

    Tipo: a pessoa está com um problema de tristeza profundo no campo afetivo. Isso é algo específico? Sim. Porém quero entender de onde vem essa tristeza, quais os motivos, são relacionados com seu estado emocional interno ou são deflagrados a partir de conflitos com outras pessoas? Ela brigou com alguém e ESTÁ triste ou ela É triste? Nesse quesito, eu sinto falta nas jogadas gerais de ir abrindo as questões. Na verdade o que eu faço é depois de ler a “geral” ir desdobrando a área mais problemática com esse tipo de questionamento.

    Quanto ao jogo para mim… estou cada vez mais jogando por motivos bobinhos até para tirar o “peso” do oráculo. E para estudo, mesmo. Jogo pra saber se a festa vai estar boa, porque se não estiver não será algo que modificará minha vida, então fica tranquilo de ler, de estudar… Claro que geralmente nessas questões sem importância, a taxa de erro para auto-leitura é mínima.

    Estou adorando essa nossa troca de ideias… Uma verdadeira CONVERSA CARTOMÂNTICA 😉

  5. Eu conheci outros métodos, mas não me adequei a eles. Perguntas concernentes ao amor são normalmente vistas com o Templo de Afrodite, mas para mim as costumeiras três cartas são mais que suficientes (se não forem, puxo mais duas, rs).
    Não gosto muito de ficar “preso” ao método. As cartas se derramam para fora das minhas tentativas. Ao invés do costumeiro “fatores favoráveis/fatores desfavoráveis/resultado”, gosto muito da ideia do Robert M. Place: para que lado as lâminas “olham”? Em que ordem? Estão da esquerda para direita, ao contrário, ou confluindo, para dentro ou para fora? Dessa perspectiva, parece difícil ordenar as informações mas, acredite, para mim é muito mais fácil. soa mais coeso.
    Eu comecei com o Marseille e a minha primeira aventura com o Tarô foi ler o livro do Mitológico “lendo” seus significados no meu Marseille. Foi uma lição vivencial de que Tarô é Tarô – no sentido em que é sua bagagem em ação nas cartas, não o contrário. Quanto mais lemos sobre Tarô, quanto mais agregamos Tarô ao nosso cotidiano, melhor fica nosso jogo, melhor fica nossa leitura – do Tarô e do mundo.
    O Thoth, nesse sentido, é perfeito. Ele tem mesmo essa perspectiva profunda. Quanto mais o jogamos, mais vemos que ele tem mais a dizer. É muito para apreender em uma única visão. Sou suspeito, porque todo apaixonado é suspeito para falar do objeto de seu amor…
    A Mandala é muito legal, quando queremos um panorama grande, MESMO. Eu não a utilizaria para questionamentos menores. Acho que a associação método astrológico + conteúdo cartomântico pede um pouco mais de horizonte.
    O tipo de questionamento que norteia a sua exploração do tema é que me norteia em não querer saber nada, a priori. Porque o que vai sair fará com que a pessoa exponha a questão e dialogue com sua própria motivação de buscar uma consulta.
    Eu jogo para mim jogos de longa duração, seis meses, por exemplo. E vou anotando COMO as cartas se comportam, se encaixam nos acontecimentos… É muito elucidativo.

    Um beijo Giane, de fato é uma Conversa Cartomântica 😉 !

  6. Tô embasbacado com a fluência de vocês aqui, viu? Incrível, adorei.
    Particularmente [como já comentamos, Gi], não corto nada e nem espero que o consulente se prontifique a manter a lucidez ou a atenção absoluta às minhas cartas. Vou bem no que o mano disse: a minha postura é que norteia o consulente por entre as imagens. Outra curiosidade que ando vendo por aí é que alguns profissionais evitam jogar apenas com Menores, por exemplo, porque o jogo não flui. Mais uma vez, particularmente não acredito nisso. Isso é algo pessoal, não um credo a ser incorporado por todos. O mesmo ocorre com arcanos invertidos. É até feio ouvir falar que alguém usa as cartas, mas e se usam? Funciona, dá certo? Então qual o problema? Lá fora são editados vários livros sobre o uso das cartas reversas. Nada é condenável. Meu trabalho é ser o intermediário entre os arcanos e o consulente. Mas os métodos, ah, sempre fui meio avesso, como Emanuel bem comentou. Parece que limitam a articulação simbólica. Cabe a mim, enquanto tarólogo, experimentar o oráculo e todas as suas idiossincrasias, digamos. Jogos truncados variam sempre, e isso é o legal da diversidade de abordagens do Tarô. Deve ser difícil chegar a um consenso.

    Vou começar a cortar, depois comento aqui. 😀
    Abraço, queridos.

  7. Muito bom e altamente relevante seu texto Giane Portal, gostei muito, especialmente do Saturno na casa 3, o que me fez pensar do meu Saturno da casa 12. As vezes me vejo sem consciencia dos limites e muitas vezes os limites surgem de forma incosnciente.
    Já foi comum acontecer de leituras não traduzirem os fatos ou melhor eu não conseguir estabelecer ou ainda encontrar ressonancia entre as cartas e o consulente. Traduzia as cartas, mas essas não significavem nada para quem estava diante de mim, busquei respotas para isso em várias esferas, simila as que vc fez, fui um pouco alem justificando ou culpando o método aleatório achando que tal método propõe um caos simbolico a ser discernido com coerencia por justaposição entre a carta e o seu posicionamento no tipo de tiragem usado.
    Hoje ao desenvolver o sistema astrológico do tarot não passo mais por essas questões, pois encontro ressonância em cada posicionamento e evolução da dança dos arcanos, não renunciei ao método aleatório já que o acaso tambem contribui para revelar conteúdos ocultos. Etretanto encontro nos vários segmentos interpretativos do sistema astrológico do tarot conteúdos altamente esclarecedores que apontam como as coisas foram, são e serão.
    Quanto a questão do envolvimento emocional, seja na leitura pessoal ou para outrem, o que fica comprometido é a intuição, e quando isso acontece prefiro anotar os dados apresentados e ler num outro momento em que esteja mais distanciado. Para mim é fundamental manter a integridade entre razão e emoção, pois só assim serei capaz de contemplar os conteúdos motivacionais e materializaveis.
    Eu vejo o oráculo do tarot como um instrumento iconografico capaz de revelar tudo que ocorre a nossa volta e em nossa vida, e hj o ato de cortar as cartas ou toca-las não mais é importante, não por falta de respeito ao oraculo, pois essa atitude eu preservo com a concentração e repeito ao que estou por ver e revelar, com isso é impresindivel que o consulente esteja preparado para lidar com o que está por ser revelado, mesmo que essa revelação já lhe seja de conhecimento e ou dominio, contuto algumas vezes o consulente não está preparado para lidar com tais revelações e ai cabe ao consultante elaborar como orientar.
    O fato de que com essa metodologia muitas das questões serão naturalmente apresentadas e resolvidas, mas algumas outras que possam afligi-lo podem ser respondida com esse metodo ou com o aleatório, portanto até o entendimento do que o consulente quer perguntar pode ser discernido pelo consultante mesmo q sua formulação não esteja be elaborada.
    É provavel que você possa entender o que falo quando analiza um mapa astrológico, mas o SAT é bem mais interativo do que apenas a descrição do céu.

    1. Oi Emanuel!

      Bem interessantes, como sempre, as colocações… então:

      “O tipo de questionamento que norteia a sua exploração do tema é que me norteia em não querer saber nada, a priori. Porque o que vai sair fará com que a pessoa exponha a questão e dialogue com sua própria motivação de buscar uma consulta.”

      Ok, mas se você abre, por exemplo, uma cruz celta, e sai por exemplo uma dominância de ouros, você já conclui que se trata de questões materias? pq as vezes acontece de vc abrir um jogo com naipes dissonantes da questão que o consulente tem em mente… Não sei se você me entendeu… ai vc faz uma leitura específica como se tivesse falando por exemplo de uma questão financeira, ou uma leitura mais generalizada sobre as coisas da vida… até que o consulente formule e DIGA o que o levou ali? Mesmo uma dupla de corte, por exemplo, Torre + 9 de ouros, pode indicar tanto um rompimento na renda quanto em alguma situação que traga felicidade a pessoa, podendo se aplicar também a um contexto afetivo. Nesse sentido que eu acho que a leitura não ficaria tãooo específica, pode me dar um retorno?

      “Eu jogo para mim jogos de longa duração, seis meses, por exemplo. E vou anotando COMO as cartas se comportam, se encaixam nos acontecimentos… É muito elucidativo.”

      Eu também faço isso! Junto com jogos curtos e bobinhos para ir estudando a aplicação do Tarot no cotidiano!

  8. Oi Leo querido, acho impossível chegar a um consenso porque para cada indivíduo procura desenvolver-se dentro daquilo com o que se afina melhor. Imagina que tédio se a humanidade fosse uniforme!

    As coisas que coloco aqui no blog (corte, pergunta, método, tiragem européia, sempre usar o Tarot completo, não usar carta invertida) são coisas que se adequam completamente a mim, ao meu jeito, a minha personalidade. Mas sou uma eterna curiosa e sedenta pela natureza humana, por descobrir como as pessoas fazem suas coisas e, porque não, agregar!

    O que determina se funciona ou não? a margem de acerto do Tarólogo. E bem sabemos que muita gente conta, com, além das cartas, uma intuição ou visões… então as cartas acabam sendo uma ponte, sobretudo.

    Eu AMO métodos mas não fico presa a eles, não tenho MUITOS mas uso vários, porém de acordo com a consulta é comum eu ir puxando três cartas em sucessão para ir explorando outros aspectos da questão.

    Quanto o método Americano X Europeu, as pessoas acham ERRONEAMENTE que o Europeu é mais fácil… E vejo que às vezes as pessoas são olhadas meio de forma amadora por usar esse método. Eu não acho mais fácil porque envolve uma multiplicação de fatores, eu acho mais difícil mas mesmo assim eu uso porque comecei a perceber um grau de especificidade em minhas respostas muito maior com a utilização das cartas combinadas. Sem falar que eu comecei e usei por anos o sistema Americano, eu já trabalhei por anos sem método definido, enfim, estou sempre em eterna busca e aprimoração, e por isso mesmo posto estas questões aqui, para agregar a experiência dos colegas a minha.

    Quanto ao corte, como já disse, faz parte do meu código de trabalho, como um PACTO, eu realmente não acho que precise de corte para funcionar, mas no meu caso sim. É tipo: eu não vou olhar seus segredos sem que você consinta, ok? 🙂

  9. Carlos Morais, grata pelas considerações, vão me dar muito o que pensar… No caso do corte, como coloquei no meu texto, faz parte do MEU código de trabalho e das iniciações que tive. Longe de mim dizer que o jogo sem corte não funciona, mas já ficou mais do que claro que não funciona para MIM. Bacana você ter apontado essas questões saturninas, até porque basicamente é sobre isso que o texto fala… os limites da comunicação, do entendimento e da interpretação… Obrigada por mais esse insight!

  10. Leonardo e Emanuel, sobre a concentração, eu sei que nós somos o foco… mas infelizmente ainda não descobri um jeito de entrar na cabeça do consulente, e fazer ele pensar no que está pensando. Mas como vocês não são tão direcionados A PRIORI a perguntas específicas, talvez esteja aí a diferença…

  11. Então, Giane, a pessoa começa a se localizar na consulta a partir da terceira carta da Cruz Celta. Ali eu tenho já um feedback precioso para a continuidade. Na quarta casa, eu sei sobre o que trabalhar, especificamente, dialogando sempre com a Carta Diagnóstico. Então, o jogo começa com um panorama e desenvolve-se em diálogo. Eu utilizo apenas uma carta por casa, baralho misturado, então não saberia dizer da Torre com o Nove de Ouros, porque as cartas estariam dialogando com o jogo todo, ao invés de unicamente entre si. Um Nove de Ouros antecedendo uma Torre seria um evento (Numerada/Pip Card) que precede um processo de evolução pessoal (Arcano Maior). Sucedendo, seria o resultado desse mesmo processo. A Torre, em si, seria a questão a ser trabalhada, independente da natureza do evento que ela pressiona. Haveria uma preparação para o evento, ou uma “consolação” – não é essa a melhor palavra, mas é a que, nesse momento, me oferece a melhor ideia de consecução.
    As casas da Cruz, para mim, dialogam, intercambiam, notificam entre si algo para além da linearidade que as deixaria estanques, por isso minha preocupação em não me entregar ao método em si, mas às cartas, conforme sua aparição. No caso de uma predominância de cartas de Ouros, eu veria não questões materiais per se, mas que a perspectiva do consulente frente à questão que o trouxe à consulta é materialista e prática, então não adianta muito tentar consolá-lo ou adverti-lo a longo prazo – a questão é mostrar-lhe o primeiro passo, aquele, prático, curto e grosso, que dará início a uma nova fase ou o retirará das dificuldades em que (possivelmente ele mesmo) se meteu.
    Eu uso, para nortear minhas leituras de excessos de naipes, números e corte a leitura da Kat Black em seu Golden Tarot. Eu traduzi nessa postagem aqui: http://migre.me/7LbtJ. O Waite, em seu Pictorial Key, propõe algumas atribuições da Cartomancia, assim como Papus no Tarô Adivinhatório. Não funcionou para mim não, fico com as interpretações da Kat Black mesmo, que tem sido preciosas na confirmação de contextos apontados previamente pelas cartas.
    Caso, ainda assim, a leitura não fique específica, aviso que a previsão é aquela – aquele é o ponto mais importante, que pede atenção – e vamos para as perguntas específicas.
    E… er… quando eu disse “elucidativo”, deveria ter empregado “medonho”, também 🙂

    Como o Leo falou, o jogo é engessado pelo método. Funciona bem, no começo, quando a gente precisa entender COMO a carta funciona em determinado contexto. Não é mnemônico, é reflexivo.
    “O que determina se funciona ou não? a margem de acerto do Tarólogo. E bem sabemos que muita gente conta, com, além das cartas, uma intuição ou visões… então as cartas acabam sendo uma ponte, sobretudo.” FATALITY da Giane. Simples assim. Métodos são nossa forma de nos sentirmos à vontade com o oráculo. Baralhos são nossa forma de nos sentirmos à vontade com o oráculo. Porque se oráculo fosse só estudo, seria muito mais fácil. Mas o estudo é a parte objetiva de desenvolver nossa habilidade subjetiva de desvelar eventos objetivos.
    Eu gosto de usar uma carta por casa, baralho misturado, porque reduzo o número de possibilidades de saírem cartas repetidas de um mesmo grupo (Maiores, Corte ou Numeradas) – o que agrega valor a elas. Se eu tiro muitas cartas numeradas, sei que o consulente reagirá a um evento; se muitas cartas da Corte se apresentam, pessoas serão importantes na questão OU o consulente trabalhará sua personalidade por contraponto à personalidade de outrem; e, caso saia muitos Maiores, a situação está fora do controle do consulente, sendo sua forma de adaptar-se às circunstâncias crucial para o bom desenvolvimento da questão.
    Nesse caso do pensar, especificamente, é bom você pedir para a pessoa repetir o que ela quer saber em voz alta enquanto corta. Ao repetir, ela irá se concentrar. 🙂
    Um beijo!

  12. Olá tudo bem ? Muito bom seu artigo. Nunca havia pensado sobre o corte dessa maneira. O corte para mim significa um assunto/acontecimento principal emergente em relação ao tema da pergunta ou em relação ao consulente (como ele está). Quando voce diz: “Sempre digo que a pergunta rege a resposta, não existe resposta no Jogo sem uma pergunta bem formulada, “concordo em parte com voce, pois um dos exercícios que dou no curso do Tarot Adivinhatório é justamente embaralhar o Tarot todo, cortar e tirar 3 cartas interpretando-as. Também acho que a comunicação com o cliente é fundamental, pois algumas informações são muito importantes para uma boa consulta, porém têm alguns clientes que querem que voce adivinhe tudo!!!!
    Quanto as jogadas gerais, se voce utilizar o método da Mandala Astrológica, pode obter muito bons resultados e dessa geral sair uma consulta de mais de uma hora.
    Sucesso amore.

    1. Oi Magali, muito grata pela sua colocação! Adorei!
      Alguns comentários: em relação ao corte, o Emanuel trabalha de uma maneira semelhante. Eu já usei dessa forma quando trabalhava com o baralho misturado, depois que comecei a misturar, meio que perdi o hábito… Mas vcs tem me falado sobre isso, talvez volte a investigar.
      Talvez a minha colocação sobe pergunta / resposta não tenha sido muito clara, pois vem gerando algumas observações. Eu não acho que a pergunta rege a LEITURA, e sim a RESPOSTA. Então, se a pessoa for fazer uma leitura de uma situação, ou uma geral, nem sempre temos uma pergunta definida. Mas no caso de a pessoa estar buscando uma resposta para algo muito específico, acredito que a elaboração da pergunta é essencial e fundamental.
      Também acontece direito de as pessoas dizerem: tirei carta x, o que significa? Bem, vc pode falar do sentido geral do arcano, mas sem um contexto específico ela pode estar se manifestando de várias formas ou situações diferentes… então fica bastante amplo.
      Mas sem dúvida é difícil explicar para um consulente mais ávido de controle de que nem tudo está pronto no destino… aliás, que a maioria não está.
      Eu tenho estudado bem a Mandala, mas ainda não a achei específica o suficiente… mas é aquela coisa né, jogos gerais são jogos gerais, hehehe.
      Grata por tudo!

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