Tarólogos e seus Gatos – Gatos e seus Tarólogos

“Since you alluded to the world’s future, have a look at this laid-back cat.
If anybody were happy as this cat, then everything would be fine.
There are moments of peace in this world, like this cat.
If there is a moment of peace, it means that it exists.”
ALEXANDRO JODOROWSKY, para o site prism-scape.com

Gatos e seus mistérios… insondáveis, inalienáveis, etéreos e eternos.

Não por caso, muitos de nós cuja alma foi seduzida irremediavelmente pelos Arcanos, somos também capturados pela presença felina. O gato tem a magia do mundo todo próprio, inalcansável, por mais que derrame todo seu amor sobre você. Como um Deus, uma entidade além desse plano. Paradoxal – presente e inatingível.

Há um tempo atrás escrevi um post sobre Gatos e Astrólogos, sendo a Astrologia, como o Tarot, uma via de conexão simbólica.  Esse ano decidi também escrever sobre gatos e seus tarólogos, ao constatar que os gatos são uma paixão também nesse meio. Aqueles que me enviaram material serão citados por aqui.

Alexandro Jodorowsky and his cat

Mas gostaria de abrir esse post com Alessandro Jodorowsky. Gênio das graphic novels, cineasta; e é claro – tarólogo. Seu primeiro trabalho com Moebius, Les Yeux du Chat, traz o gato como tema principal.  O gato é enigma e comunhão, e Jodorowsky capta toda a essência da felinidade nessa declaração:

“Look at the pleasure that this cat has in communicating with a human being. I’m not his master, I’m only a human being. It could take exactly the same pleasure with you. Do you want to see ? Take the cat…You see… Stroke it… Here it is, it’s yours. Peace is yours.”
ALEXANDRO JODOROWSKY, para o site prism-scape.com

Assim como ele, muitos de nós, tarólogos, desfrutam da pacífica convivência felina. Como é o caso do Leo Chioda, do Café Tarot.

Leo e Alexandrino

Pedi para o Leo me falar de Alexandrino, e ele envia esse poema:

A UM GATO

Os espelhos não são mais silenciosos,
nem mais furtiva a aurora aventureira:
eras, à luz da lua, essa pantera
que ao longe divisamos, temerosos.
Por obra indecifrável de um decreto
divino, te buscamos baldamente;
mais remoto que o Ganges ou o poente,
a solidão é tua, e o mais secreto.
Teu lombo condescende à vagarosa
carícia de uma mão. Tens admitido,
desde essa eternidade que é já olvido,
o amor de minha mão tão receosa.
Em outro tempo estás: és dom, suponho,
de um âmbito cerrado como um sonho.

E logo depois complementa:

“Ele foi o único dos três filhotes de Kitsch, a gata que rondava a minha casa, que ficou. Todos foram doados, até mesmo ele que um rapaz de longe viria buscar de bicicleta, logo impedido pela minha mãe. O rapaz nunca voltou para reclamar a adoção e assim Alexandrino foi batizado. Libriano do dia 13, Alexandrino nunca foi um gato convencional. Nada de colo, nada de mimos exagerados. É auto-suficiente, detesta definições e não dá a mínima para a atenção depositada nele quando há alguma outra atenção tomando o seu tempo precioso. Alexandrino é um Aleph: é um dos pontos do espaço que contém todos os outros pontos. Aqui em casa é assim. Já o nome porque é como um poema dodecassílabo: complicado, metódico, sofisticado e extremamente bonito, como só um gato ousa ser. Seus versos também são cartas. Sempre soube escolher os arcanos sobre a mesa ou sobre a cama. Quando um dia perguntei qual era a sua carta de natureza, arranhou O Carro – pura expressão do dirigir, muitas vezes sem saber até onde. Indomável, já se perdeu nuns tempos, como todo bom andarilho. Tempestuoso, brada por considerações na hora de comer e posa, posa sempre como um modelo único de majestade com o olhar tendencioso ao selvagem. Alexandrino é poesia, no mais óbvio dos [sextos] sentidos. Um primor de companheirismo e de absoluto controle de sua divindade. Coabita os cafés, os baralhos, os livros. Abre-se todo nos incômodos e retém a adoração de todos os mortais, religiosamente pasmos com a magia de sua plenitude.

Li esse poema de Borges para Alexandrino certa vez. A resposta foi um amém de pálpebras.”

Poesia em prosa. O saber-se companheiro de um gato, nas palavras meticulosamente escolhidas.

Johnny da Isabel

Depoimentos de gatos que se aproximam durante as leituras – motivados pelo portal invisível que se abre no instante em que os Arcanos são deitados, ou pelo simples prazer de ser os centro das atenções, também são frequentes. Veja o caso de Johnny, da Isabel Catanio:

“A intuição apurada é algo que todos os gatos apresentam, mas no caso do Johnny, ele sempre sabe quando estou lendo, abrindo um círculo para ritual ou lendo Tarot, mostrando certo interesse especial pelos momentos místicos e religiosos da minha vida. Nesse último caso ele se esbalda, deita em cima das cartas, dos livros ou perto de mim, eu nem ligo mais, apenas o deixo ajudar na leitura com sua simples presença.

Assim, ele se torna parte desses momentos, mesmo que seja algo involuntário. Até minha mãe percebeu o fato da aproximação dele em momentos de leitura ou meditação com o Tarot, em específico; eu aprecio muito tal participação felina, pois além da questão energética, há a sinceridade e inocência típica dos animais presente, tornando a percepção diferente.”

A Vuca, gatinha da amiga do Emanuel Santos, do Conversas Cartomânticas, também é assídua nas tiragens da dupla:

“A sua dona, a Silmeire, é minha amiga há muitos anos […]. Sempre jogamos um para o outro.”  E continua: “Conforme o costume, bichos fora do quarto (a Sil tem cachorros também), janela aberta. E lá vem Vuca. Acreditávamos que ela queria dormir; então, deixamos ela ficar, tendo entrado pela janela. Mas não, ledo engano: ela queria o baralho! Não contente em vê-lo, ela deitou-se sobre a toalha, e nada a tirava de lá. Ficou Vuca e as cartas, Silmeire e eu, rindo e lembrando que os gatos são os mamíferos da Magia. Desde então, Vuca é nossa companheira de carteado e divinação – bem mais dessa última que da primeira. Nem foi difícil fazermos as fotos. Estendi a toalha, embaralhei algumas vezes… E lá estava ela já, pronta para a sessão. Usando o baralho como travesseiro e a toalha como cama, não foi difícil escolhermos algumas cartas para comporem as fotos. Caso de amor é esse. Até meu baralho entrou na roda.”

Vuca e o baralho do Emanuel

Como no caso do Emanuel, nem sempre o tarólogo mora com seu companheiro felino. Veja o Depoimento da Regina Guigou, do Universus Guigou: “Desde que estou morando em Maceió o unico felino que, atualmente, me proporciona alegria é o Anubis. Por enquanto, pois adotarei um felino já que não sei viver sem um bichano me casa. Este é Anubis, o gato do meu vizinho que vira e mexe vem dar umas voltinhas pela minha casa para receber meus carinhos. Ele lembra o meu gato: Ferrugem que sempre ficava sentado no meu colo durante as consultas de tarô.”

Anubis

A presença de um gato em nossas vidas deixa muitas marcas, mesmo quando não se encontra mais nesse plano. Katharina Dupont relembra seu querido Cacau:

“O gato mais tranquilo que já tive, quando dava aulas de pintura em casa ele passava de mão em mão – todas as crianças adoravam ele! Esta foto foi tirada numa festa árabe que dei em casa para meu aniversário e ele era o rei da festa, hehehe. Infelizmente eu perdi meu amado Cacau para os cálculos na bexiga , o que me deixou muito revoltada já que ele só comiam ração premium.”

Katharian e Cacau

A sensibilidade também é um traço bastante destacado entre os felinos. Nas palavras de Denise, sua gata Alice “É nossa guardiã. Está sempre nos esperando e cuidando de cada cantinho da casa. É linda e muito meiga. Tem capacidade de perceber quem está precisando de atenção e fica perto.” E completa: “Eu acredito mesmo que os gatos transformam as energias negativas e têm capacidades curativas, amenizam nossas mazelas.”

Alice, da Denise

Vera Chrystina Costa Santos, do Mundo do Tarot, também fala com entusiasmo de suas gatinhas:

“Amo gatos desde pequena e sempre os tive. Nunca comprei um gatinho, eles sempre vieram para mim. A Mila veio dentro de um motor de carro, na época meu pai era proprietário de postos de gasolina. Filhotes tem mania de procurar lugares quentes e protegidos. A Dhara é caiçara, nasceu em Ilhabela, litoral norte de São Paulo. Meu filho a trouxe pequenina e acabou ficando comigo, mas o amor da vida dela é meu pai. Tanto eu , como meu pai, somos apaixonados por gatos e eles por nós.

Vera e Mila

A Mila é muito inteligente. Sempre me acompanhou nas leituras de tarô e mapa astral no meu espaço. Assistiu muitos cursos e eventualmente faz xixi direitinho no vaso sanitário. Sabe abrir portas e é extremamente amorosa. A Dhara é brincalhona e sempre tenta me caçar. Adora brincadeiras e a época que ela mais gosta é o Natal para subir na minha árvore e arrancar os enfeites. Amo gatos! Eles são amigos leais e amorosos!”

Dhara

E eu, bem, eu vivo com 15 adoráveis, fascinantes e enigmáticos felinos. Me delicio diariamente com suas aventuras, suas conversas, seu ronronar.  São a melhor companhia, silenciosa e presente, exigente e displicente. Como só um gato sabe ser.

Gaia e Eu
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9 comentários sobre “Tarólogos e seus Gatos – Gatos e seus Tarólogos

    1. Oi Pietra! Então, eu fiz três chamadas no tarologistas, ainda em janeiro, e depois novamente me fevereiro, comentando sobre essa postagem que eu estava desenvolvendo. Pedi para que quem estivesse interessado em participar me enviasse fotos e um textinho sobre seu(s) gato(s). Acabei não incluindo mesmo quem eu sei que tem gatinhos, por achar que talvez não tivesse interesse em fazer parte do post. Um beijo!

  1. Muto bom! eu sempre tive gatos e cachorros! Ambas espécies incomparavéis. “Cada um com seu cada qual”! Mas uma coisa eu sempre soube: gatos nasceram para a admiração e para o silêncio, cães nasceram para o toque e para a algazarra. Na minha vida cada gato e cada cão foram únicos e todos fizeram parte dela, assim como hoje me fazem falta! Adorei o que escreveu! Muito obrigado!

    1. Lindo o que você escreveu! Também adoro cães (na verdade, animais em geral…), entretanto tenho uma conexão especial com felinos e por isso eles ganham tanto espaço aqui no blog. Um abraço!

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