I Tarocchi delle Stelle

Há cerca de 15 anos, quando comecei a pesquisar baralhos no site aeclectic.net, descobri este Tarot e me apaixonei. Nem sabia ainda ao certo por que – na época, conhecia relativamente pouco sobre a estrutura dos baralhos e o que me chamou atenção foi a arte.  Eu aprendi a  jogar tarot com o baralho Thoth, do Crowley, e durante alguns anos esse universo me foi suficiente. Depois comecei a expandir para outras vertentes e foi então que desenvolvi um estudo e um entendimento mais organizado a respeito do Tarot em si, e não especificamente da obra de Crowley.

Para escrever essa resenha separei algumas lâminas que me chamaram atenção e, coincidência ou não, no topo da pilha ficou aqui, olhando para mim, o Seis de Copas – justamente um Arcano que remete aos tempos passados. Continuando (após esse breve devaneio da Magia dos Sinais), desde o momento em que vi este Tarot, quis ele para mim.  Porém estava fora de catálogo, não conseguia encontrar na Amazon, no Tarot Garden, em lugar algum. Cheguei a comprar um outro baralho do mesmo autor, o Enoil Gavat Tarot, mas não correspondeu às minhas expectativas. Alguns anos se passaram sem que eu pensasse nele, então não sei quando exatamente  quando voltou a ser publicado, mas esses tempos passeando pela Alida Store, pesquisando outra coisa, me lembrei dele e quase não acreditei quando o encontrei em estoque. Estava um tanto descapitalizada, mas acabei ganhando-o de presente de aniversário. Era o momento de ele vir para mim.

Esta semana finalmente chegou meu tão sonhado baralho!

Ele se chama La Porta Celeste – I Tarocchi delle Stelle, e foi concebido e desenhado por Giorgio Tavaglione, lançado pela editora Dal Negro. Adoro Tarots grandes, e as suas lâminas tem 15cm de comprimento. A qualidade de impressão é muito boa, preservando bem os traços e detalhes. O papel é ótimo e não é brilhoso, as lâminas deslizam bem ao embaralhar e são boas de manusear. O verso é lindo. Vem com um livrinho ilustrado, tudo super charmoso e bem acabado.

O Tarot é todo conectado a temas esotéricos, analogias a signos e planetas, letras hebraicas e outras simbologias, na linha de outros tarots ocultistas. Eu não utilizo mais esses sistemas para ajudar a definir o significado dos arcanos, mas acho o visual muito bonito.  Ele tem todos os Arcanos Menores ilustrados, seguindo o sistema Rider Waite na maioria das lâminas, e traz uma palavra chave escrita em cada uma das cartas, estilo do tarot de Crowley.

Uma coisa que eu particularmente ADOREI neste Tarot é que a maioria dos baralhos com os menores ilustrados faz a inversão da posição da carta da Força e da Justiça. Tenho alguns outros Tarots ilustrados que não fazem essa inversão, porém o sistema de ilustrações é bem diferente das imagens utilizadas no Rider Waite. Outra coisa que me chamou a atenção é que o Arcano VI traz o enamorado entre duas mulheres, como na versão do Marselha, e geralmente os Tarots ilustrados na linha RW trazem apenas um casal. Entretanto, o arcano do Sol não traz  o tradicional casal de crianças, e sim de adultos.

Os Arcanos Menores

Conforme coloquei anteriormente, os Arcanos Menores são todos ilustrados e trazem uma palavra chave. A maioria  das ilustrações segue a linha do Rider Waite; se não utiliza a mesma representação, utiliza uma ilustração análoga, como no caso do Seis de Espadas, por exemplo, onde a ideia de transição e passagem é representada através de via terrestre, um caminho entre duas montanhas. O “feeling” que a carta transmite é diferente, mas o conceito é o mesmo. Isso acontece em várias outras lâminas deste baralho. Entretanto, no que se refere as palavras escritas como resumo da carta, grande parte delas não fecha com os significados mais difundidos ou mesmo com a própria ilustração da lâmina.

Algumas ilustrações, contudo, fogem completamente a representação encontrada no RW. O seis de copas, por exemplo, mantém o significado geral da carta mas traz, em vez do casal de criancinhas e o buquê de flores, um ser metade homem, metade mulher, cada face olhando em uma direção. No naipe de paus os exemplos mais diferenciados do Rider Waite em termos de ilustração são o 10 de paus, que traz dois homens espelhados, um jovem nu e um adulto vestido, e as palavras chave busca – pressão (a ilustração em nada se assemelha ao homem carregando sozinho o feixe de 10 bastões do RW) e o 8 de paus, que me causou ainda mais estranheza, sendo associado a um jardim.

Agora, a perplexidade toda e absoluta ficou por conta do cinco de ouros. Traz um casal apaixonado e a palavra chave “Amante”. Eu jamais vi o 5 de outros associado a este conceito e isto está me colocando em dúvida em relação a utilização deste tarot. Eu sempre penso que quando utilizando um baralho, devemos seguir os conceitos abordados nas ilustrações do mesmo, e não apenas “lembrar” do significado das cartas. Se eu jogar om o Crowley, devo seguir o sistema do Crowley, com o RW, esse sistema, e por aí vai. Agora, um cinco de  Ouros com um casal de amantes?  Fiquei num dilema total… como proceder a leitura quando sair essa carta para um consulente? Pelo conceito que conheço como 5 de ouros ou como a representação desse Tarot? Se seguir o sentido geral da carta, não estarei seguindo a minha filosofia de se conectar a representação dada… Se seguir a ilustração, como jogar em um baralho sem a imagem da pobreza e falência material representada por este arcano?

Enfim, seria um Tarot praticamente perfeito para mim, se não fosse esse detalhe. Ainda vou pensar no que fazer em relação a isso… Aceito sugestões e opiniões.

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2 comentários sobre “I Tarocchi delle Stelle

  1. Oi Giane! Tudo bem?
    O autor buscou apenas a segunda alternativa, dentre as propostas por Waite. Transcrevo aqui o que o Waite diz sobre o cinco de ouros (Tarô, a Sorte pelas cartas, Ediouro, 1985, p. 118):
    “A carta prediz acima de tudo percalços materiais, seja na forma ilustrada – isto é, miséria – seja de outra forma. Para alguns cartomantes, é uma carta de amor e amantes – esposa, marido, ambos amantes; também, concordância, afinidade. Essas alternativas não podem ser harmonizadas.”
    Já ouvi histórias de tentativas de assimilação iconográfica entre uma e outra cena: afinal de contas, o compromisso marital é na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, como manda o ritual.
    Espero ter te ajudado! Um beijo!

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