Hiato

DSCF3935Pela primeira vez decido publicar um texto de caráter pessoal aqui no blog. Desde o início de 2016 suspendi meus atendimentos em Tarot e Astrologia, assim como aulas, cursos e palestras. Nesse meio tempo, pessoas têm entrado em contato comigo buscando atendimento, e, na medida do possível, vou encaminhando para outros profissionais de confiança.

Mas confesso que sinto um certo desconforto comigo mesma quando perguntam minha profissão, ou que estou trabalhando. O que responder? No momento não estou trabalhando com NADA. Comecei então a me perguntar o motivo desse desconforto todo, e acabei me dando conta de coisas interessantes a respeito de mim mesma. Pela primeira vez na vida não sei exatamente o que quero, nem para onde ir. Foi diferente da minha primeira ruptura na carreira de designer para assumir a leitura oracular. Ainda que tenha passado por um período de transição, eu sabia onde queria chegar. Essa falta de controle sobre meus próprios objetivos faz com que eu me sinta sem chão. E o pior, ter que explicar isso num mundo orientado para resultados, onde TER FOCO, REALIZAR COISAS e TER SUCESSO é um mantra quase que obrigatório. Nós não temos mais tempo de recuar, parar, fazer nada, nos perder, viver o fluxo e o contrafluxo. Somos cobrados para sermos um sucesso em todas as áreas da vida: na profissão, no amor, na saúde, na família, na vida social, na aparência física, etc. Nos dias de hoje, somos constantemente julgados – por nós mesmos e pelos outros – por esses parâmetros altíssimos e impossíveis de serem atingidos. Se estamos mais introspectivos, significa que não somos populares. Se estamos num redirecionamento profissional, significa que fracassamos. Se não temos um relacionamento, automaticamente começamos a nos perguntar o que temos de errado. Se nossa saúde falha, é porque não nos cuidamos direito, não importa o tipo de doença que esteja se manifestando. Enfim, é uma pressão monumental em assumirmos papéis de perfeição em todas as áreas, e pela primeira vez eu me pergunto: onde isso irá nos levar?

Eu me constranjo muito em dizer que não estou gerando meu próprio dinheiro nesse momento de vida. Como se isso representasse que fracassei como ser humano, que não tenho capacidade de ser independente, porque eu sempre me defini pela atividade que estou exercendo no momento. Mas eu já mudei tantas vezes que acabei me dando conta de que eu não posso SER o que estou fazendo, pois posso desempenhar diversas atividades, mas essas atividades não mudam quem eu sou. Não estou simplesmente falando de fases da vida onde experimentamos coisas diferentes, mudamos gostos e afinidades e por isso vamos amadurecendo e transformando nossa personalidade, descobrindo novas nuances e trabalhando em pontos fracos. Falo sim do íntimo, da chama, da essência de vida que habita em nosso corpo.

Então o que preciso trabalhar em mim? Comecei a encarar esse processo todo de uma forma diferente faz algum tempo, e por isso decidi postar isso aqui. Talvez outras pessoas sintam angústias similares e possam e queiram dividir isso em um nível mais profundo. Quando parei de atender, muita gente me questionou o porque de eu ter parado, pois me consideravam boa oraculista. Eu expliquei as razões, e a principal delas foi por puro respeito ao oráculo e aos meus clientes. Simplesmente de uma hora para outra os significados pararam de se apresentar para mim. Apesar de todo estudo, toda experiência, os símbolos não estavam mais se comunicando comigo de uma forma coerente. Bem, charlatanismo é o que mais existe no meio esotérico, e eu não iria brincar com a confiança das pessoas e atender de qualquer jeito, falando qualquer coisa só por falar. Felizmente a vida foi generosa comigo, e me trouxe um companheiro que me permitiu realizar essa pausa nos atendimentos. Muitos amigos do meio disseram para eu continuar, que era fase, que isso passava. Mas no meu íntimo eu sabia que não deveria forçar.

Vários outros amigos, na melhor das intenções, me ofereceram ajudas e dicas para reconectar e voltar a atender. E foi aí que eu comecei a me dar conta. Eu não quero isso. E é tão contraditório, porque eu adoro atender e foi muito triste para mim quando eu simplesmente senti que não estava mais em condições de fazer isso, e tampouco eu acredito em ensinar algo que não pratico. Mas algo em mim dizia: não é a hora ainda! E aí que o processo de desconstrução fica ainda mais complicado. Como explicar isso pra mim mesma e para o mundo? Como não me julgar, me cobrando que na verdade isso não passava de uma desculpa, que estava com preguiça de trabalhar, me acomodando?

Eu tinha muito medo de que meu marido pensasse isso de mim. Mas isso era mais um problema meu do que dele, que tem me apoiado sem me questionar desde o início desse processo. Hoje eu finalmente resolvi fazer essa pergunta ao Tarot, diretamente, e tive a confirmação que buscava. Obrigada, Julio Soares, pela ajuda que você tem me dado.

Há uns dois dias atrás publiquei no facebook que estou voltando a estudar. Tenho aulas de desenho e pintura na ABRA e em breve começarei minha pós-graduação em arte terapia pelo IJEP. Eu não sei muito bem onde isso vai me levar, mas estou indo com o fluxo. Ontem, pela primeira vez, tive um insight bastante significativo. Talvez eu não seja tão inconstante profissionalmente assim, apesar das atividades aparentemente desconexas (design gráfico e digital, astrologia e tarot, projetos pessoais na área de fotografia e agora a pintura e a arte terapia). Talvez eu tenha vivido diferentes ASPECTOS de algo maior que mora em mim, e que eu estou a caminho de descobrir. E para que esse algo maior possa nascer, pelo menos na minha jornada, as partes – enquanto atividades profissionais – tiveram que morrer. Talvez esse seja o meu processo de individuação. E talvez a lição mais valiosa que eu esteja levando de tudo isso é estar aprendendo a não me definir pelo que faço, mas me aceitar pelo que sou.

 

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Escravo do salário

Durante certa fase de minha vida, ouvi repetidamente essa música até que Brian Molko me convenceu:

“All it takes is one decision
A lot of guts, a little vision to wave
Your worries, and cares goodbye”

E foi assim que decidi deixar de ser “escrava do salário” com Urano cruzando meu Meio do Céu, e trabalhar com o que realmente está em mim: Astrologia, Tarot e agora também a fotografia felina.

Esse vídeo é perfeito em sua analogia… chega um ponto em que tudo a sua volta parece “descascar” para abrir espaço para visão do que é real e essencial. Em tempos de Plutão em Capricórnio e Urano em Áries, a metáfora visual não poderia ser mais apropriada.

“Run away” – você pode optar por fugir de uma situação a qual lhe oprime, ou fugir da sua essência.

A letra é forte ao comparar o tipo de atividade que desempenhamos apenas por dinheiro com prostituição:

“Run away from all your boredom
Run away from all your whoredom and wave
Your worries, and cares, goodbye”

Sabemos que nem sempre é possível se dar ao luxo de fazer o que queremos,  nem na hora que queremos. Mas se a realização profissional é uma parte importante de sua personalidade, não pode-se cair na acomodação e postergar eternamente o seu desejo pessoal. O preço é alto: doenças psicossomáticas, depressão, sensação de vazio.

Fiquem então com o clipe. Espero que sirva de inspiração para quem, como eu, já sentiu ou sente essa dúvida.

 

 

Veja também: Pure Morning

 

 

 

 

Pure Morning

Para mim é difícil expressar em palavras tudo o que sinto cada vez que assisto a esse clipe. Vale ver até o fim e experimentar a sensação antes de terminar de ler este post…

Para fazer algo inusitado é preciso coragem. É a aventura do Louco, o salto no desconhecido. Sentimos receio, hesitamos, e sim, há a possibilidade de que estejamos mesmo colocando tudo a perder, como a maioria das pessoas muitas vezes nos faz acreditar. Mas, para fazermos algo magnífico com as nossas vidas, é preciso ir em direção a nossa verdade.

(E se por acaso der errado, encontrar forças para recomeçar).

Reflexões sobre a vida e os animais

Quem me conhece, sabe da conexão especial que tenho com os felinos. São minha inspiração, meu portal, minha magia. Mas na realidade eu sempre gostei de bicho, de todo tipo. Sou do tipo que desde criança me sentia mal no zoológico porque os animais estavam enjaulados, não conseguia comer um bicho que via matarem e ficava triste porque o cachorro tinha que ficar na coleira. Não posso até hoje com passarinho em gaiola e peixe em aquário,fico nervosa.

Enfim. Por eu gostar de bicho, me interesso por bicho. E inevitavelmente sempre chegam até mim deploráveis casos de violência contra felinos (que embora cruéis e injustificados, infelizmente são muito comuns) – os gatos fazem as pessoas olharem para dentro de si mesmas e muitos não suportam essa imagem. Se você gosta de gatos, vai encontrar nesse blog diversas postagens a respeito deles, desvendando um pouco do misterioso universo felino.

Entretanto, nos últimos tempos, tem aumentado consideravelmente o número de casos noticiados de maus tratos contra cães – sempre bem aceitos pela grande maioria da sociedade. E não somente casos de violência contra câes abandonados, mas também de “donos” que matam cruelmente seus próprios animais (tiro, paulada, enterrados vivos). Gente serrando focinho de cachorro, arrastando amarrado no carro, o que é isso??? Agora eu me pergunto, no que a humanidade está se tornando? Que venha 2012, que venha o apocalipse de uma vez! Arcano XX já!

Não assisti o vídeo do Yorkshire e nem assistirei. Depois que vi um vídeo de uma foca bebê tendo sua pele arrancada enquanto ainda estava viva, para que alguma acéfala pudesse vestir um casaco, eu me prometi nunca, mas nunca mais assistir uma coisa assim se pudesse escolher. A foquinha piscava e chorava, em carne viva, uma vida transformada em uma monstruosidade, totalmente inocente e indefesa a tudo a seu redor.

Voltando ao próprio Yorkshire – fiquei chocada ao cubo saber que a mulher era enfermeira, e chocada à enésima potência ao saber que uma criança de cerca de 4 anos presenciou toda a cena. Quais serão as referências dessa criança? Ela amava o cachorrinho? Tinha uma relação especial com ele? Que tipos de traumas e feridas isso pode gerar? O tipo de trauma e ferida que a gente volta e meia presencia nas consultas. Ou não. Um treinamento para a frieza e brutalidade. Ou apenas frieza emocional, talvez. Enfim, as consequências podem ser diversas, e, na melhor das hpóteses, a criança irá se tronar um adulto que luta pelos direitos dos animais. Mas se for esse o caso, será motivada pela mágoa, pela memória, pela dor.

Então fiquei refletindo sobre como a convivência humana afeta a vida dos bichos. De como transferimos nossos valores a eles. E até na vida espiritual, porque uns tem tanto e outros não tem nada – um reflexo da raça humana. Alguns são tratados com caminhas fofas e muito carinho, outros são abandonados e outros ainda são vítimas de violência. O que me leva a perguntar: existirá karma para os animais? Em algum nível do sistema evolutivo, esses sofrimentos espirituais fazem parte da sua trajetória? Enfim, muitos questionamentos.

Se você também gosta de animais como eu e se preocupa com seu bem estar, algumas atitudes podem fazer toda a diferença:

– Adote um animal abandonado, vacine e CASTRE. A castração é um ato de amor fundamental no controle populacional, menos animais nas ruas e mais animais vivendo bem em lares amorosos.

– Se você tem preferência por animais de raça, PESQUISE as condições do local de onde você vai adquirir o seu bichinho. Existem criadores que o fazem por amor, existe os que fazem por ganância. Dá muita pena dos bichinhos que são criados sob condições péssimas, sem espaço, sem higiene, mas tente não comprar um bichinho de lá, pois você acaba salvando um e condenando muitos, infelizmente – pois o comércio é estimulado.

Se você quer um animal de raça, PAGUE O PREÇO de um lugar decente. Filhotes muito baratos significam filhotes que vêm de lugares precários. Cães e gatos amontoados em gaiolas operando como fábricas de procriação. Dá pena dos bichos, e nojo das pessoas.

Animais de raça custam caro, não só na hora de comprar mas também na hora de MANTER. Se você não tem condições de arcar com as despesas, não compre um animal de raça. Se você procura um “mais baratinho”, já é sinal de que você não tem grana para pagar os cuidados especiais no futuro.

– Evite que seus animais tenham acesso livre às ruas. Toda a sorte de tragédia pode acontecer, como envenenamentos, atropelamentos, briga com outros animais. Se você ama bichos, não vai querer que seu cachorro mate o gato do vizinho, não é? Nem que seu gato mate os passarinhos da casa ao lado…

– Se você doa / comercializa animais, certifique-se, através de questionários e, se possível, até mesmo de visitas, que seus animais irão para lares dignos. E CASTRE OS ANIMAIS ANTES DE VENDER OU DOAR! As pessoas querem cruzar os bichinhos depois, a reprodução é indiscriminada, aumentando o problema do abandono, do comércio paralelo, cruzamentos consanguíneos gerando animais fracos e doentes, e por aí vai.

Quem ama tem consciência na hora de comprar, adotar, vender, criar!

Saiba, acima de tudo, que bicho tem alma.
Mas muitas vezes somos insensíveis demais para compreendê-la, ignorantes demais para desvendá-la.

Com amor, a todos os bichos
Gi

Sinal dos Tempos…

… É receber por e-mail um powerpoint com um resumão do Caibalion, e de brinde mais algumas frases soltas da Tábua de Esmeralda. Um texto HERMÉTICO distribuído nos moldes das mensagens de auto ajuda que pululam diariamente em nossas caixas postais… Choque de realidades! O universo está prestes a entrar em colapso!

Carnaval, a festa da carne

Da wikipedia:Carnaval é um período de festas regidas pelo ano lunar no cristianismo da Idade Média. O período do carnaval era marcado pelo “adeus à carne” […] dando origem ao termo “carnaval”. Durante o período do carnaval havia uma grande concentração de festejos populares. Cada cidade brincava a seu modo, de acordo com seus costumes. O carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XIX.

A festa carnavalesca surgiu a partir da implantação, no século XI, da Semana Santa pela Igreja Católica, antecedida por quarenta dias de jejum, a Quaresma. Esse longo período de privações acabaria por incentivar a reunião de diversas festividades nos dias que antecediam a Quarta-feira de Cinzas, o primeiro dia da Quaresma. A palavra “carnaval” está, desse modo, relacionada com a ideia de deleite dos prazeres da carne marcado pela expressão “carnis valles”, que, acabou por formar a palavra “carnaval”, sendo que “carnis” do grego significa carne e “valles” significa prazeres.

Em geral, o carnaval tem a duração de três dias, os dias que antecedem a Quarta-feira de Cinzas. Em contraste com a Quaresma, tempo de penitência e privação, estes dias são chamados “gordos”, em especial a terça-feira (Terça-feira gorda, também conhecida pelo nome francês Mardi Gras), último dia antes da Quaresma. ”

Entretanto, sabe-se que a origem do Carnaval é pagã, tratando-se de uma adaptação de diversas celebrações dedicadas a deuses da antiguidade (como Dionísio, Saturno, Osíris, etc) e de uma concessão da Igreja Católica ante o período de privações exigido na Quaresma.

Do bruxaria.net:“A diferença entre o carnaval da antiguidade para o moderno é que, no primeiro, as pessoas participavam das festas mais conscientes de que estavam adorando aos deuses. O carnaval era uma prática religiosa ligada à fertilidade do solo. Era uma espécie de culto agrário em que os foliões comemoravam a boa colheita, o retorno da primavera e a benevolência dos deuses. No Egito, os rituais eram oferecidos ao deus Osíris, por ocasião do recuo das águas do rio Nilo. Na Grécia, Dionísio, deus do vinho e da loucura, era o centro de toda as homenagens, ao lado de Momo, deus da zombaria. Em Roma, várias entidades mitológicas eram adoradas a começar por Júpiter, até Saturno e Baco.”

[…] Com a supremacia do cristianismo a partir do século IV de nossa era, várias tradições pagãs foram combatidas. No entanto, a adesão em massa de não-convertidos ao cristianismo, dificultou a repressão completa. A Igreja foi forçada a consentir com a prática de certos costumes pagãos, muitos dos quais, cristianizados para que se evitasse maiores transtornos. O carnaval acabou sendo permitido, o que serviu como “válvula de escape”, diante das exigências que eram impostas aos medievos no período da Quaresma.

Na Quaresma, todos os cristãos eram convocados a penitências e à abstinência de carne por 40 dias, da quarta-feira de cinza até as vésperas da páscoa. Para compensar esse período de suplício, a Igreja fez “vistas grossas” às três noites de carnaval. Na ocasião, os medievos aproveitavam para se esbaldar em comidas, festas, bebidas e prostituições, como na antiguidade.”

O que muita gente não sabe, no entanto, é que o carnaval não acontece apenas no mundo dos vivos. Por afinidade, as comemorações atraem também legiões de entidades e desencarnados.  Os portais inferiores são abertos e os espíritos circulam livremente na Terra. Tantos excessos no período acabam levando a inúmeras mortes e situações de violência – é a verdadeira “festa da carne” para essas entidades espirituais.

Segundo o espiritismo: “O Espírito Manoel Philomeno de Miranda e sua equipe em uma excursão a determinada festa popular na sociedade terrestre, descrita na obra Entre os Dois Mundos:

(…). Em face dos desconcertos emocionais que os exageros festivos produzem nas criaturas menos cautelosas, há uma verdadeira infestação espiritual perturbadora da sociedade terrestre, quando legiões de Espíritos infelizes, ociosos e perversos, são atraídas e sincronizam com as mentes desarvoradas. Nesse período instalam-se inumeráveis obsessões coletivas que entorpecem multidões, dizimam existências, alucinam valiosos indivíduos que se vinculavam a formosos projetos dignificadores.”

O aspecto negativo do Carnaval, portanto, não está na comemoração, nas manifestações de alegria, no êxtase. A grande problemática são as pulsões de violência e os exageros desencadeados no período, que trazem consequências imediatas como mortes por assassinato, acidentes de trânsito e consumo excessivo de drogas, e não imediatas como dsts, gravidez indesejada e desalinhamento energético do corpo físico e espiritual.

Este post não foi publicado com uma intenção / conotação moralista. Entretanto, um paradoxo interessante: a ancestral necessidade da humanidade de extravasar suas emoções reprimidas em rituais e períodos de celebração versus todos as energias nocivas que isso liberta, levando a consequências nefastas. Será que o grande problema está na dessacralização dessas práticas? Fica aqui a questão.