O primeiro compromisso – parte 3

Parte 3 e final – texto retirado do Livro “Os Quatro Compromissos – o Livro da Filosofia Tolteca”, de Don Miguel Ruiz. O último parágrafo foi o trecho que mais despertou dúvidas e questionamentos em mim…

Seja impecável com sua palavra

Por anos a fio recebemos fofocas e opiniões do outros, mas também da forma como usamos a palavra conosco. Falamos conosco constantemente, a maior parte do tempo dizendo coisas como: “Puxa, estou gordo. Estou feio. Estou ficando velho, estou perdendo os cabelos. Sou estúpido, nunca entendo nada. Jamais serei bom o suficiente, e nunca serei perfeito”. Está vendo como usamos nossa palavra con­tra nós mesmos? Precisamos começar a compreender o que a palavra é e o que a palavra faz. Se você compreender o primeiro compromisso, Ser impecável com sua palavra, você começa a perceber todas as mudanças que podem acontecer em sua vida. Primeiro, na forma como você lida consigo mesmo, e, depois, na forma como lida com outras pessoas, especialmente aquelas a quem ama mais.

Considere quantas vezes você mexericou sobre a pessoa que ama para conquistar o apoio de outros para o seu ponto de vista. Quantas vezes você capitulou a atenção dos outros e espalhou veneno sobre quem ama mais, a fim de tornar sua posição correta? Sua opinião não é nada além do seu ponto de vista.Não é necessariamente verdadeira.Sua opinião deriva de suas crenças,do seu próprio ego e do seu próprio sonho.Criamos todo esse veneno e o espalhamos aos outros,de forma que possamos imaginar certos em nosso ponto de vista.

Se adotarmos o primeiro acordo e nos tornarmos impe­cáveis em relação a nossa palavra, qualquer veneno emo­cional será limpo de nossa mente e de toda a comunicação em nossos relacionamentos pessoais, incluindo nosso ani­mal de estimação, cão ou gato.

A impecabilidade no mundo também irá conferir imu­nidade em relação a alguém colocando um encantamento em você.Você apenas receberá a idéia negativa se sua mente for um terreno fértil para essa idéia.Quando você se toma impecável em relação a sua palavra, sua mente não mais se constitui em terreno fértil para as palavras que formam a magia negra. Ao invés disso, é um terreno fértil para palavras que venham do amor. Você pode medir a impe­cabilidade de sua palavra pelo seu nível de amor próprio.

Quanto você ama a si mesmo e como se sente consigo são diretamente proporcionais à qualidade e integridade de sua palavra. Quando você é impecável com suas palavras, sen­te-se bem, feliz e em paz.

Você pode transcender o sonho do inferno apenas fir­mando o compromisso de ser impecável com sua palavra. Neste instante estou plantando essa semente em sua cabeça. Se ela vai ou não crescer, depende de quão fértil sua mente é para as sementes do amor. Cabe a você firmar esse com­promisso com você mesmo:”Sou impecável com minha palavra”. Cuide dessa semente e, à medida que ela germinar em. sua mente, irá gerar mais sementes de amor para substituir as sementes de ódio. Esse primeiro compromisso irá mudar o tipo de sementes que brotam de sua mente.

Ser impecável com a própria palavra. Este é o primeiro com­promisso que você deve fazer se quiser ser livre, se quiser ser feliz, se quiser transcender o nível de existência que é o inferno. Use a palavra para espalhar o amor. Use magia branca, começando com você mesmo. Diga a si próprio quão maravilhoso você é, como é grande. Diga a si mesmo como gosta de você. Use a palavra para quebrar todos os pequenos compromissos que o fazem sofrer.

É possível. É possível porque eu fiz isso, e não sou melhor do que você. Não, somos exatamente a mesma coisa. Temos o mesmo tipo de cérebro e o mesmo tipo de corpo; somos humanos. Se eu fui capaz de quebrar esses compromissos e criar novos compromissos, então você pode fazer a mesma coisa. Se posso ser impecável com minha palavra, por que você não pode? Apenas esse compromisso pode mudar toda a sua vida. A impecabilidade da palavra pode levar à li­berdade pessoal ao sucesso e à abundância; pode facilmen­te dissolver todo o medo e transformá-lo em alegria e amor. Imagine só o que você pode criar com a impecabilidade da palavra. Com a impecabilidade da palavra, você pode transcender o sonho do medo e viver uma vida diferente. Pode viver no céu no meio de milhares de pessoas que vivem no inferno, porque você é imune a esse inferno. Você pode atingir o reino do céu apenas com este compromisso: seja impecável com sua palavra.

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O primeiro compromisso – parte 2

Dando sequência ao post de ontem…

Seja impecável com sua palavra

Observando as reações diárias dos seres humanos, ima­gine quantas vezes atiramos encantamentos uns nos outros com nossa palavra. Com o tempo, essa interação se toma a pior forma de magia negra, e a chamamos de mexerico ou fofoca.

Fofocar é praticar magia negra em seu pior aspecto, por­que é puro veneno. Aprendemos como fofocar firmando um compromisso. Quando éramos crianças, escutávamos os adultos ao nosso redor mexericando o tempo todo, dando abertamente suas opiniões sobre outras pessoas. Eles che­gavam até a emitir opiniões sobre pessoas que não co­nheciam. O veneno emocional era transferido com as opi­niões e aprendíamos que essa era uma forma normal de comunicar-se.

Mexericar tornou-se a forma principal de comunicação na sociedade humana. Tomou-se a forma de nos aproximar uns dos outros, porque nos faz sentir melhor ao ver que outros se sentem tão mal quanto nós. Existe uma antiga expressão que diz: “A miséria gosta de companhia”,e as pessoas que sofrem no inferno não querem ficar sozinhas.O medo e o sofrimento são uma parte importante no drama do planeta; são a maneira de o sonho do planeta nos manter abaixados.

Fazendo a analogia da mente humana com o computa­dor, as fofocas poderiam ser comparadas aos vírus. Um vírus de computador é um programa escrito na mesma linguagem que todos os outros códigos de programas, porém carrega uma intenção danosa. Esse código é introduzido no interior do programa do seu computador quando você menos espera, e sem o seu conhecimento. Depois que esse código foi introduzido, seu computador não funciona di­reito, ou simplesmente não funciona porque os códigos se confundem tanto com as mensagens conf1itantes que param de produzir os resultados esperados.

As fofocas humanas funcionam exatamente da mesma forma. Por exemplo, você está começando uma nova aula com um professor, e aguarda isso há muito tempo. No pri­meiro dia de aula, você se encontra com alguém que já cursou aquela matéria, que lhe diz :”Ah, aquele professor é um sujeito pernóstico. Ele não faz idéia sobre o que está falando e, cuidado já ouvi dizer que é tarado!”.Você imediatamente se impressiona com aquelas pala­vras e com o código emocional da pessoa quando disse isso, mas não está consciente das motivações dela para lhe dizer aquilo. Essa pessoa poderia estar irritada por não ter conseguido passar, ou simplesmente fazendo uma suposi­ção baseada em medo e preconceito; mas como você apren­deu a ingerir informações como uma criança, alguma parte do seu ser acredita na fofoca e você vai assistir à aula.

Enquanto o professor fala, você sente o veneno se for­mando em seu espírito e não percebe que está vendo o professor através dos olhos da pessoa que fez a fofoca. En­tão você começa a falar para as outras pessoas na classe da mesma forma: um pernóstico e tarado. Você odeia a aula, e logo decide desistir. Culpa o professor, mas a ver­dadeira culpada é a fofoca. Toda essa confusão pode ser causada por um único vírus de computador. Um pequeno trecho de desinformação pode interromper a comunicação entre pessoas, infectando cada indivíduo, que passa a contagiar outros. Imagine que cada vez que os outros fofocam com você, inserem um vírus de computador em sua mente, fazendo com que pense me­nos claramente. Depois imagine que, num esforço para lim­par a própria confusão e conseguir alívio do veneno, você fofoca e espalha esses vírus para mais alguém.

Agora, imagine esse padrão caminhando numa corrente infinita entre todos os seres humanos da Terra. O resultado é um mundo cheio de pessoas que podem apenas receber informações através dos circuitos entupidos com um vírus contagioso e venenoso. Uma vez mais, esse vírus venenoso é o que os toltecas chamam de mitote, o caos de milhares de vozes diferentes, todas tentando falar ao mesmo tempo na mente.

Ainda pior são os feiticeiros ou “hackers de computador”, os que intencionalmente espalham o vírus. Recorde a época quando você ou algum seu conhecido estava zangado com outra pessoa e desejava se vingar. Para buscar a vingança, você disse alguma coisa para ou sobre a pessoa com a in­tenção de espalhar veneno e fazer com que essa pessoa se sentisse mal consigo mesma. Quando crianças, fazemos isso sem pensar, mas quando crescemos nos tornamos muito mais calculistas em nossos esforços para rebaixar outra pes­soa. Então mentimos para nós mesmos e dizemos que essa pessoa recebeu um castigo justo para seus malfeitos.

Quando enxergamos o mundo através de um vírus de computador, é fácil justificar o comportamento mais cruel. O que deixamos de perceber é que o mau uso de nossa palavra está nos enterrando cada vez mais no sonho do inferno.

O Primeiro Compromisso – parte 1

Há algum tempo atrás publiquei um texto que recebi para refletir em um momento em que precisava de orientação. Era o Segundo Compromisso, de Don Miguel Ruiz. Esse texto foi retirado do Livro “Os Quatro Compromissos – o Livro da Filosofia Tolteca”. Hoje publico aqui uma parte do Primeiro Compromisso. Por se tratar de um texto longo, postarei aos poucos durante essa semana, além do que colocar o texto aqui me ajuda a refletir sobre ele e estudá-lo. Minha virginiana mente já formulou diversas questões que espero poder discutir no sentido de clarear alguns pontos, mas antes procurarei em mim mesma as respostas.

Seja impecável com sua palavra

O primeiro compromisso é o mais importante e também o mais difícil de cumprir. É tão importante que apenas com esse primeiro compromisso você será capaz de transcender ao nível de existência que chamo de céu na Terra.

O primeiro compromisso é ser impecável com sua palavra.

Parece simples, mas é extremamente poderoso. Por que sua palavra? A palavra é o poder que você tem de criar. Sua palavra é o dom que vem diretamente de Deus. O Livro do Gnesis, na Bíblia, falando da criação do universo, diz: No início havia o Verbo, e o Verbo era com Deus, e o Verbo era Deus”. Mediante a palavra você ex­pressa seu poder criativo. É por meio da palavra que você  manifesta tudo. Independentemente de qual língua você  fale, sua intenção se manifesta por intermédio da palavra. O que você  sonha,o que  você  sente e o que você realmente é será manifestado mediante a palavra.

A palavra não é apenas um som ou um símbolo escrito.

A palavra é força; é o poder que você possui de expressar-se e comunicar-se, de pensar, e, portanto, de criar os eventos   em sua vida. Você pode falar. Que outro animal no planeta pode falar? A palavra é a mais poderosa ferramenta que você possui como ser humano; é a ferramenta da magia. Porém, como uma espada de dois gumes,sua palavra pode criar o sonho mais belo ou destruir tudo ao seu redor.Uma das lâminas é o mau uso da palavra, que cria um verdadeiro inferno. A outra lâmina é a impecabilidade da palavra, que apenas cria beleza, amor e o céu na Terra. Dependendo de como é usada, a palavra pode libertar você ou pode escra­vizá-lo mais do que imagina.Toda a magia que você possui está  baseada em sua palavra : Sua palavra é magia pura, e o mau uso dela e magia negra.

A palavra é tão poderosa que uma única pode mudar ou destruir as vidas de milhões de pessoas. Alguns anos atrás, um homem, na Alemanha, pelo uso da palavra, ma­nipulou todo um país formado de pessoas inteligentes. Ele as conduziu a uma guerra mundial usando apenas o poder de sua palavra. Convenceu os outros a cometerem os piores atos de violência. Ativou ou o medo das pessoas com a palavra e, como uma grande explosão em cadeia, aconteceram as­sassinatos e guerra pelo mundo inteiro. Pelo mundo afora, seres humanos destruíram outros seres humanos porque tinham medo uns dos outros. A palavra de Hitler, baseada em crenças e compromissos gerados pelo medo, será lem­brada por muitos séculos.

A mente humana é como um terreno fértil onde sementes estão sendo plantadas continuamente.As sementes são opiniões,idéias e conceitos.Você planta uma semente,e a mente humana é tão fértil!O único problema é que,freqüentemente,também é fértil para as sementes do medo. A men­te do ser humano é fértil, mas apenas para as sementes para as quais é preparada. O que é importante é saber para que tipo de semente nossa mente é fértil, e então prepará-la para receber as sementes do amor.

Vamos tomar o exemplo de Hitler: ele enviou todas aque­las sementes de medo e elas germinaram e conseguiram provocar destruição em massa.Percebendo o enorme poder da palavra, precisamos compreender que tipo de poder sai de nossas bocas.Um temor ou duvida plantados em nossas mentes pode gerar um drama infinito de eventos.A palavra é como um encantamento,e os seres humanos usam a palavra como feiticeiros,colocando impensadamente encantamentos uns nos outros.

Cada ser humano é um mágico,e podemos colocar alguém sob encantamento com nossas palavras ou libertar alguém de um encantamento. Lançamos encantamentos a todo instante com nossas opiniões. Um exemplo: vejo um amigo e lhe dou uma opinião que acabou de passar por minha mente. Digo: “Hum … estou vendo no seu rosto aque­la cor dos que vão ter câncer”. Se ele me ouvir e concordar. irá desenvolver câncer em menos de um ano. Esse é o poder da palavra.

Durante nossa domesticação, nossos pais e irmãos deram suas opiniões sobre nós sem ao menos pensar. Acreditamos nessas opiniões e vivemos com medo dessas opiniões, como não ser bom em natação, ou no esporte, ou em escrever.Alguém dá sua opinião e diz: “Veja, aquela menina é feia!” A menina escuta, acredita que é feia e cresce com a idéia de que é feia. Não importa quão bonita ela seja; enquanto mantiver esse compromisso consigo mesma, irá acreditar que é feia. Esse é o encantamento que a atinge.

Ao captar nossa atenção,a palavra pode entrar em nossa mente e alterar todo um conceito para melhor ou para pior. ­Outro exemplo: você pode e acreditar que é estúpido e por ter acreditado nisso até onde vai sua lembrança. Esse com­promisso pode ser capcioso, levando você a fazer muitas  coisas para provar que é estúpido. Você pode dizer a si mesmo: “Gostaria de ser esperto, mas devo ser estúpido ou não teria feito aquilo”. A mente vai em centenas de direções diferente e poderíamos passar dias tendo a atenção atraída apenas por aquela crença, em sua própria estupidez.

Então, um dia alguém prende sua atenção e, usando a palavra, diz que você não é estúpido. Você acredita no que aquela pessoa está dizendo e faz um novo compromisso. Como resultado disso, você não se sente nem age mais como estúpido.Um encantamento inteiro é quebrado apenas pelos poderes do mundo.De forma análoga.se você acredita ser estúpido e alguém prende sua atenção e diz: “É verdade, você é a pessoa mais estúpida que eu já conheci”, o acordo será reforçado e vai se tomar ainda mais forte.

Agora vamos examinar o significado da palavra impecabilidade.Impecabilidade quer dizer “sem pecado”.Impecável  vem do latim peccatu, que significa “pecado”. O prefixo im  é igual a “sem”; portanto, impecável  é “sem pecado”, As religiões falam sobre pecado e pecadores, mas vamos com­preender o que realmente significa pecar.

Um pecado é uma coisa que você faz e que vai contra você mesmo, Tudo o que sente, em que acredita ou diz que vai contra você mesmo é um pecado. Você vai contra você mesmo quando se julga ou se culpa por alguma coisa. Estar sem pecado significa exatamente o oposto, Ser impecável não é ir contra a sua natureza. Quando você é impecável assume responsabili­dade por seus atos, mas não julga nem culpa a si mesmo.

Desse ponto de vista, todo o conceito de pecado muda de alguma coisa moral ou religiosa para algo pertencente ao senso comum. O pecado começa com a rejeição de você mesmo, Auto-rejeição é o maior de todos os pecados que você pode cometer. Em termos religiosos, a auto-rejeição é um “pecado mortal”, que leva à morte. Impecabilidade, por outro lado, leva à vida.

Ser impecável com sua palavra é não usá-la contra você mesmo. Se eu o vir na rua e o chamar de estúpido, parece que estou usando a palavra contra você. Na realidade, estou usando minha palavra contra mim mesmo, pois você vai me odiar por isso, e o seu ódio não é bom para mim. Por­tanto, se eu ficar zangado e com minha palavra mandar todo o veneno emocional para você, estou usando minha palavra contra mim.

Se amo a mim mesmo, irei expressar esse amor em minha interação com você, e então serei impecável com a palavra, porque aquela ação irá produzir uma reação análoga. Se eu amo você, então você irá me amar. Se eu insultá-lo, você irá me insultar. Se eu demonstrar gratidão por você, você terá gratidão por mim. Se eu for egoísta com você, você será egoísta comigo. Se eu usar a palavra para colocar um encantamento em você, você irá colocar um encantamento em mim.

Ser impecável com a própria palavra é o emprego correto de sua energia; significa usar sua energia na direção da verdade e do amor por você. Se você fizer um compromisso com você mesmo de ser impecável com sua palavra, com apenas essa intenção a verdade irá se manifestar por seu intermédio e limpar todo o veneno emocional que existe em seu interior. Mas firmar esse compromisso é difícil por­que aprendemos a fazer exatamente o oposto. Temos apren­dido a mentir como hábito de comunicação com os outros, e, mais importante, conosco. Não somos impecáveis com a palavra.

O poder da palavra é usado de forma completamente errada no inferno. Usamos a palavra para amaldiçoar, cul­par, encontrar remorso, destruir. Claro, podemos usar no sentido correto, mas não com muita freqüência. Na maior parte do tempo usamos a palavra para espalhar nosso ve­neno pessoal – para expressar raiva, ciúme, inveja e ódio. A palavra é magia pura – o presente mais poderoso que temos como seres humanos – e a usamos contra nós mes­mos. Planejamos vingança. Criamos o caos no mundo. Usa­mos a palavra para criar ódio entre raças diferentes, entre pessoas diferentes, entre farru1ias, entre nações. Fazemos mau uso da palavra com muita freqüência, e ‘esse mau uso é nossa forma de criar e perpetuar o sonho do inferno. O mau uso da palavra é como empurramos uns aos outros para baixo e nos mantemos em estado de medo e dúvida. Como a palavra é a mágica que os seres humanos possuem e o mau uso da palavra é magia negra, estamos o tempo todo usando magia negra sem saber que nossa palavra pro­duz magia.

Havia uma mulher, por exemplo, que era inteligente e tinha um ótimo coração. Ela possuía uma filha a quem ado­rava e amava muito. Uma noite ela voltou para casa depois de um dia mim no trabalho, cansada, cheia de tensão emo­cional e com uma terrível dor de cabeça. Ela queria paz e sossego, mas sua filha estava cantando e pulando alegre­mente. A filha estava inconsciente de como a mãe se sentia, encontrava-se em seu próprio mundo, em seu próprio so­nho. A menina sentia-se maravilhosa, saltava e cantava cada vez mais alto, expressando sua alegria e seu amor. Cantava tão alto que piorava a dor de cabeça de sua mãe, e num determinado momento a mãe perdeu o controle. Irritada, olhou para a menina e disse: “Cale a boca! Você tem uma voz horrível. Não pode ficar quieta?”.

A verdade é que, naquele momento, a tolerância da mãe para qualquer coisa era nula. Mas a filha acreditou no que a mãe disse, e naquele instante fez um compromisso consigo mesma. Depois disso, não cantou mais, porque acreditava que a própria voz era feia e iria incomodar qualquer um que a ouvisse. Mostrou-se tímida na escola e, quando lhe pediam que cantasse, ela recusava. Até mesmo falar com os outros tornou-se difícil para ela. Tudo mudou nessa menina por causa do novo compromisso: ela acreditava dever suprimir suas emoções para ser aceita e amada.

Sempre que escutamos uma opinião e acreditamos nela, fazemos um compromisso que se torna parte do nosso sistema de crenças.

Quantas vezes fazemos isso com nossos próprios filhos?

Damos a eles esse tipo de opinião, e nossos filhos carregarão essa magia negra por anos e anos a fio. As pessoas que nos amam fazem magia negra conosco, mas não se dão conta. Por isso precisamos perdoá-las; não sabem o que fizeram.

Outro exemplo: você acorda de manhã sentindo-se muito feliz. Sente-se tão bem que permanece por uma ou duas horas em frente ao espelho, embelezando-se. Bem, um de seus melhores amigos diz: “O que aconteceu com você? Está horrive1. Olhe só esse vestido que está usando; é ri­dículo”. Pronto, isso é o suficiente para colocar você a ca­minho do inferno. Talvez seu amigo só tenha dito isso para magoar você. E conseguiu. Emitiu a opinião com todo o poder da palavra dele como apoio. Se você aceita a opinião, ela se torna um compromisso e você coloca todo o seu poder nessa opinião. Essa opinião se torna magia negra.

Esses tipos de encantamento são difíceis de quebrar. A única coisa que pode quebrar um encantamento é fazer novo compromisso baseado na verdade. A verdade é a parte mais importante de ser impecável com sua palavra. Por um lado do fio da espada estão as mentiras, que criam magia negra, e do outro está a verdade, que possui o poder de quebrar o encantamento da magia negra. Apenas a ver­dade pode nos libertar.

O Segundo Compromisso

Esses dias me deparei com uma situação de impasse em minha vida pessoal, onde tive dúvidas a respeito de minha conduta em determinada situação. Fui buscar aconselhamento com uma pessoa que admiro muito, por ser do raro tipo que reúne sabedoria e imenso conhecimento: Rodrigo Araês – que, entre tantas atividades exercidas, é também astrólogo.  Rodrigo foi um presente especial que a Astrologia colocou em meu caminho, um padrinho espiritual. Na ocasião, além de suas próprias palavras que por si só já portam uma incrível luz;  me enviou um texto que mudou minha vida e minhas perspectivas sob diversos aspectos, o qual compartilho aqui neste espaço.

Não leve nada para o lado pessoal

Os três compromissos seguintes na verdade se originam do primeiro. O segundo compromisso é: não leve nada para  o lado  pessoal.

O que quer que aconteça com você, não tome como pessoal. Usando o exemplo já mencionado, se o vejo na rua e digo: “Você é um estúpido”, sem conhecê-lo, não estou fa lando de você, estou falando de mim. Se você levar para o lado pessoal, talvez acredite que é estúpido. Talvez possa dizer para si mesmo: “Como ele sabe? Será clarividente ou todos percebem que sou estúpido?”.

Você leva tudo para o lado pessoal porque concorda com o que está sendo dito. Assim que concorda, o veneno passa através de você e o prende no sonho do inferno. O que causa a sua própria captura é o que chamamos de impor tância pessoal. Importância pessoal, ou levar as coisas para o lado pessoal, é a expressão máxima do egoísmo porque cometemos a presunção de achar que tudo é sobre “nós”. Durante o período de nossa educação, ou domesticação, aprendemos a levar tudo para o lado pessoal. Achamos que somos responsáveis por tudo. Eu, eu, eu e sempre eu!

Nada do que os outros fazem é motivado por você. É por causa deles mesmos. Todas as pessoas vivem em seu próprio sonho, em sua própria mente; estão num mundo completamente diferente do que aquele no qual vivemos. Quando levamos algo para o lado pessoal, presumimos que os outros sabem o que está em nosso mundo e tentamos impor nosso mundo ao deles.

Mesmo quando uma situação parece pessoal, mesmo que os outros o insultem diretamente, não tem nada a ver com você. O que eles dizem, o que fazem e as opiniões que emitem estão de acordo com os compromissos que as pes soas possuem em suas mentes. O ponto de vista deles pro vém de toda a programação que receberam durante a domesticação.

Se alguém emite uma opinião e diz “Nossa, como você engordou!”, não a leve para o lado pessoal, porque a ver dade é que essa pessoa está lidando com os próprios sen timentos, crenças e opiniões. Aquela pessoa tenta envene ná-lo, e, se você levar isso para o lado pessoal, então estará aceitando esse veneno, que se toma o seu. Levar as coisas para o lado pessoal toma você presa fácil para esses predadores, os feiticeiros de palavras. Eles conseguem captar sua atenção com uma pequena opinião e injetam todo o veneno que desejam; como você levou para o lado pessoal, aceita tudo.

Você aceita o lixo emocional deles, que passa a ser o seu. Se você não levar para o lado pessoal, estará imune, mesmo no meio do inferno. Imunidade ao veneno no meio do inferno é a dádiva desse compromisso.

Quando você leva as coisas para o lado pessoal, sente-se ofendido e sua reação é defender suas crenças e criar con flitos. Você faz uma tempestade num copo de água, porque tem a necessidade de estar certo e tomar todos os outros errados. Você também tenta estar certo, fornecendo suas próprias opiniões. Da mesma forma, o que quer que sinta e faça é apenas uma projeção de seu sonho pessoal, um reflexo dos próprios compromissos. O que você diz, o que faz e as opiniões que emite estão de acordo com os com­promissos que firmou – e esses compromissos nada têm a ver comigo.

Não é importante para mim o que você pensa sobre mim, então não levo para o lado pessoal. Não levo para o lado pessoal quando as pessoas dizem: “Miguel, você é o má ximo”, e não levo para o lado pessoal quando eles dizem:

“Miguel, você é péssimo”. Sei que, quando estiverem felizes, vão me dizer: “Miguel, você é um anjo”. Mas quando estão zangados, devem me dizer: “Você é nojento. Como pode dizer uma coisa dessas?”. De qualquer forma, não me afeta porque sei o que sou. Não tenho a necessidade de ser aceito. Não tenho a necessidade de ter alguém di zendo: “Nossa, como você é bom” ou “Como ousa dizer uma coisa dessas?”.

Não levo as coisas para o lado pessoal. O que quer que você pense, como quer que se sinta, sei que é problema seu, e não meu. É a forma como você vê o mundo. Não se trata de nada pessoal, pois você está lidando consigo mesmo, não comigo. Os outros vão ter outra opinião, de acordo com seu sistema de crenças; portanto, nada do que pensem sobre mim corresponde a mim, mas a eles.

Você pode me dizer: “Miguel,o que esta dizendo me magoa”. Mas não é o que estou dizendo que o está magoando; é que você possui ferida que eu toco com O que digo. Você está magoando a si mesmo. Não existe forma de eu levar para o lado pessoal.Não porque eu não acredite em você ou não confie em você,mas porque sei que enxerga o mundo com olhos diferentes, os seus olhos.Você cria  uma imagem ou um filme em sua mente, e nessa imagem você é o diretor, o produtor e o protagonista. Todos os outros são coadjuvantes. É o seu filme.

A forma como você vê esse filme é resultado dos com promissos que firmou com a vida. Seu ponto de vista é estritamente pessoal. Não é a verdade de ninguém, e sim a sua. Então,se você ficar bravo comigo,sei que está lidando consigo mesmo.Sou uma desculpa para você se irritar.E você fica bravo porque está lidando com o medo. Se não está com medo, não existe motivo para se irritar comigo. Se você não tem medo, não há motivo para me odiar. Se você não tem medo, não há motivo para sentir ciúme ou tristeza.

Se você vive sem medo, se ama, não existe lugar para essas emoções. Se não sentir nenhuma dessas emoções, é lógico que se sinta bem. Quando se sente bem, tudo ao seu redor está bem. Quando tudo ao seu redor está ótimo, qual quer coisa o faz feliz. Você está amando tudo ao redor porque está amando a si mesmo. Porque gosta da maneira como você é. Porque está contente consigo mesmo. Porque está contente com sua vida. Você está contente com o filme que está produzindo, contente com seus compromissos de vida. Você está em paz e sente-se feliz. Vive nesse estado de graça, no qual tudo é maravilhoso e tudo é tão bonito. Nesse estado de graça, você está produzindo amor o tempo todo com tudo o que percebe.

Em “Os Quatro Compromissos” de Dom Miguel Ruiz.