Nasce uma paixão

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Vulcânica. Óleo e Acrílica sobre tela. 90X70cm.

Este blog tem acompanhado mudanças intensas em minha vida e carreira. Nasceu quando eu estava mudando de profissão pela primeira vez, saindo da área de design e iniciando meus caminhos oraculares. Achei que ele morreria nessa segunda transição profissional – pois há mais de dois anos não tenho mais realizado atendimentos e ministrado aulas de astrologia e de tarot. Após alguma reflexão, contudo, decidi que o blog seguiria vivo e acompanharia os meus passos; transformaria sua persona, assim como eu.

Apesar dos meus planos e desejos iniciais, a vida exigiu que eu experimentasse novas situações e explorasse outros horizontes – internos e externos. Fui apresentada e me apaixonei, nesse meio tempo, pela pintura, e estou me dedicando cada vez mais a ela. São aulas na Abra, pós graduação em arteterapia no IJEP,  visitas à exposições e museus, estudos práticos e teóricos do ato de pintar. Acabei me descobrindo na expressão abstrata, o que nunca foi meu objetivo inicial. Na realidade, nem havia um objetivo inicial. Ao contrário do que sempre aconteceu em minhas incursões profissionais, fui deixando o universo me conduzir e me dar as pistas do rumo que deveria seguir (graças à muita terapia, mas isso fica para outro texto).

Confesso que é bastante difícil, e mesmo às vezes desanimador, pensar em investir o tempo e a energia necessários para a construção de uma nova carreira depois dos 40. Ainda estou formatando meus projetos, e pensando como posso reunir minha sensibilidade e intuição em relação ao outro com a pintura. Mas algo me diz – o chamado do self, talvez – que devo seguir nessa direção.

O processo de pintura tem sido revelador para mim em múltiplos aspectos. Prazeroso e dolorido. Excitante em alguns aspectos, chato em outros. E muito angustiante em determinadas situações. É muito difícil encontrar o equilíbrio no processo entre se auto aperfeiçoar e ter controle, por um lado; e por outro deixar fluir, deixar-se guiar.

Tive uma experiência, recentemente, que foi bastante reveladora. Eu não planejo as minhas pinturas abstratas, elas vão acontecendo e se revelando à medida em que vou pintando. Era o meu primeiro contato com uma tela grande, e quando me dei conta, percebi que estava pintando a paixão. Sim, a temática daquele quadro seria esse sentimento intenso, avassalador, que nos toma de assalto e nos deixa obcecados.

Comecei a pintar a base do quadro adorando as cores que estavam surgindo. À medida que a pintura foi avançando, entretanto, foram surgindo algumas combinações que me deixaram insatisfeita. Logo dei um jeito de seguir adiante e ainda pensei: “ilusão minha pintar um quadro sobre paixão e achar que não iria me frustrar no processo”. A pintura seguiu por mais umas duas, três horas, no final das quais eu estava completamente extasiada com o resultado, achando tudo lindo, mostrando para vários amigos e postando fotos nas redes sociais. E assim fiquei, com o quadro ali no cavalete no meio da sala mesmo, olhando para ele o tempo todo.

Passadas umas duas horas, depois de toda a empolgação, comecei a ver todo o tipo de defeito no quadro. Aquilo que antes me encheu de contentamento estava começando a me causar estranheza, sensação de vazio, de algo inacabado. Comecei a achar o quadro tosco, com cara de artesanato. E gradualmente passei a odiar o que então eu tinha amado. Disse para mim mesma que precisava tirá-lo da minha vista até o dia seguinte, porque meu desejo era o de jogar tinta por cima de tudo e acabar naquele instante com ele.

No outro dia eu o olhei com mais calma. Pensei que não estava de todo mau, mas poderia mexer aqui e ali para dar uma equilibrada – eu quis consertar a paixão. Trabalho usando óleo e acrílica. A tinta óleo é uma delícia de trabalhar, demora a secar e você consegue alterar o que está feito. Mas a acrílica seca muito rápido. No que comecei a mexer, a pintura começou a descamar. Eu pensei: “nossa, parece minha pele” (eu sempre descamo um pouco depois de tomar sol). E quanto mais eu mexia, mais estragava, e mais eu tentava arrumar, e mais pensava que era melhor não ter mexido mas agora já era, e mais frustrada eu ficava, até que dei um jeito de deixar “aceitável”, e talvez não tão perceptível. Mas eu sabia, e sei, que tem uma “mancha” ali.

Bom, para minha salvação, no outro dia tinha sessão de terapia. Eu estava tão frustrada com o quadro que já estava questionando todo meu movimento, minha vontade de seguir em frente. E minha terapeuta me fez perceber o quão simbólica e visceral tinha sido essa experiência: eu havia vivido a “paixão” não só no próprio processo de pintura, mas também na minha relação com o quadro.

Esse quadro passou por várias modificações, não havia ainda ficado satisfeita com o resultado. Vários meses depois de iniciado, peguei a tela que havia abandonado temporariamente e finalmente cheguei em um resultado que gostei, tanto em termos estéticos como expressivos. Finalmente, o quadro ficou pronto.

Como disse antes, a paixão é avassaladora. Nos toma, nos preenche, e muitas vezes até mesmo nos cega. Achamos bonitos até os defeitos, estamos tão enlevados que deixamos passar muitas coisas que tem potencial de nos incomodar. Além disso, a paixão é um sentimento tão intenso e extremado que polariza fácil para seu inverso: a ojeriza. No processo de pintar o quadro, me apaixonei por ele; depois comecei a observá-lo melhor, ver todos aqueles defeitos que estavam ali, e a paixão se transformou em aversão. Ainda tentei “consertar”, mas o quadro descamou como a “pele”. É muito interessante o simbolismo da pele descamando num quadro sobre paixão. Se por um lado a pele indica o que está na superfície, por outro está ligada diretamente ao desejo, ao contato, à química primordial entre os corpos. “É coisa de pele”. Libido.

Da mesma forma que ocorre quando vivemos grandes paixões, elas nos levam ao êxtase e ao sofrimento. E elas deixam marcas. Meu quadro sobre a paixão tem uma cicatriz, e talvez, para olhos mais treinados, seja a primeira coisa que chame a atenção. Mas o mais provável é que essa cicatriz passe despercebida, seja imperceptível. Como acontece conosco, as pessoas podem não notar a diferença entre antes e depois de passarmos por experiências dessa natureza, assim como podem não notar a diferença entre antes de depois de eu ter tentado consertar o quadro. E as pessoas podem não notar a marca, mas a marca está lá.

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Sobre o meu fascínio por gatos

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Eu sou completamente encantada com o universo felino. Isso porque, aos meus olhos, cada gato é único. Em personalidade e aparência. Existem os gatos charmosos, os delicados, os gatos altivos, os divertidos, os companheiros, os que andam em turma, os solitários… Os carinhosos, os mimosos, os comunicativos, os silenciosos, os temperamentais, os ativos, os tranquilos, os voluntariosos, os coléricos. Os mais selvagens, os mais próximos à nós. E existem também aqueles que são tudo isso em momentos diferentes.

Mas quem já conviveu com um número razoável de felinos sabe que cada gato é muito diferente do outro. Até os que são muito parecidos.

Vejam essa gatinha da foto. Uma tigradinha comum, para um olhar desavisado. Mas observem a delicadeza dos seus traços. Os olhos cor de cobre. As pontinhas da orelhas, pontudas e peludas como as de um mini lince. E a expressão. Essa gatinha está morando num abrigo e tinha um comportamento um tanto arredio e não fazia nada que não estivesse com vontade. Meio mau humoradinha. Tudo isso embalado num corpinho de menos de três meses de idade. Apaixonante.

Os gatos são os hedonistas perfeitos. Vivem no aqui e no agora, sempre buscando o prazer, sempre buscando satisfazer suas vontades. Eles são sensuais, gostam de conforto, são bons vivant. E absolutamente livres. São professores do viver bem.

Habitam no mistério do seu mundo interior. São magnéticos e atraem sem esforço.

Cada felino é especial, e os fotografo na busca de apreender e comunicar suas sutilezas. Quando fotografo gatos em abrigos, que foram abandonados ou que nunca tiveram a chance de conhecer um lar, meu coração se rasga por dentro. Porque eu sei que, mesmo os mais tímidos ou de aparência comum, tem um universo gigante e muito peculiar dentro de si. E é isso que eu tento transmitir com minhas fotos: cada gato é um gato.

 

Para mais fotos felinas, visite:
https://www.facebook.com/resgatzzi/
https://www.flickr.com/photos/fofurasfelinas/

 

Hiato

DSCF3935Pela primeira vez decido publicar um texto de caráter pessoal aqui no blog. Desde o início de 2016 suspendi meus atendimentos em Tarot e Astrologia, assim como aulas, cursos e palestras. Nesse meio tempo, pessoas têm entrado em contato comigo buscando atendimento, e, na medida do possível, vou encaminhando para outros profissionais de confiança.

Mas confesso que sinto um certo desconforto comigo mesma quando perguntam minha profissão, ou que estou trabalhando. O que responder? No momento não estou trabalhando com NADA. Comecei então a me perguntar o motivo desse desconforto todo, e acabei me dando conta de coisas interessantes a respeito de mim mesma. Pela primeira vez na vida não sei exatamente o que quero, nem para onde ir. Foi diferente da minha primeira ruptura na carreira de designer para assumir a leitura oracular. Ainda que tenha passado por um período de transição, eu sabia onde queria chegar. Essa falta de controle sobre meus próprios objetivos faz com que eu me sinta sem chão. E o pior, ter que explicar isso num mundo orientado para resultados, onde TER FOCO, REALIZAR COISAS e TER SUCESSO é um mantra quase que obrigatório. Nós não temos mais tempo de recuar, parar, fazer nada, nos perder, viver o fluxo e o contrafluxo. Somos cobrados para sermos um sucesso em todas as áreas da vida: na profissão, no amor, na saúde, na família, na vida social, na aparência física, etc. Nos dias de hoje, somos constantemente julgados – por nós mesmos e pelos outros – por esses parâmetros altíssimos e impossíveis de serem atingidos. Se estamos mais introspectivos, significa que não somos populares. Se estamos num redirecionamento profissional, significa que fracassamos. Se não temos um relacionamento, automaticamente começamos a nos perguntar o que temos de errado. Se nossa saúde falha, é porque não nos cuidamos direito, não importa o tipo de doença que esteja se manifestando. Enfim, é uma pressão monumental em assumirmos papéis de perfeição em todas as áreas, e pela primeira vez eu me pergunto: onde isso irá nos levar?

Eu me constranjo muito em dizer que não estou gerando meu próprio dinheiro nesse momento de vida. Como se isso representasse que fracassei como ser humano, que não tenho capacidade de ser independente, porque eu sempre me defini pela atividade que estou exercendo no momento. Mas eu já mudei tantas vezes que acabei me dando conta de que eu não posso SER o que estou fazendo, pois posso desempenhar diversas atividades, mas essas atividades não mudam quem eu sou. Não estou simplesmente falando de fases da vida onde experimentamos coisas diferentes, mudamos gostos e afinidades e por isso vamos amadurecendo e transformando nossa personalidade, descobrindo novas nuances e trabalhando em pontos fracos. Falo sim do íntimo, da chama, da essência de vida que habita em nosso corpo.

Então o que preciso trabalhar em mim? Comecei a encarar esse processo todo de uma forma diferente faz algum tempo, e por isso decidi postar isso aqui. Talvez outras pessoas sintam angústias similares e possam e queiram dividir isso em um nível mais profundo. Quando parei de atender, muita gente me questionou o porque de eu ter parado, pois me consideravam boa oraculista. Eu expliquei as razões, e a principal delas foi por puro respeito ao oráculo e aos meus clientes. Simplesmente de uma hora para outra os significados pararam de se apresentar para mim. Apesar de todo estudo, toda experiência, os símbolos não estavam mais se comunicando comigo de uma forma coerente. Bem, charlatanismo é o que mais existe no meio esotérico, e eu não iria brincar com a confiança das pessoas e atender de qualquer jeito, falando qualquer coisa só por falar. Felizmente a vida foi generosa comigo, e me trouxe um companheiro que me permitiu realizar essa pausa nos atendimentos. Muitos amigos do meio disseram para eu continuar, que era fase, que isso passava. Mas no meu íntimo eu sabia que não deveria forçar.

Vários outros amigos, na melhor das intenções, me ofereceram ajudas e dicas para reconectar e voltar a atender. E foi aí que eu comecei a me dar conta. Eu não quero isso. E é tão contraditório, porque eu adoro atender e foi muito triste para mim quando eu simplesmente senti que não estava mais em condições de fazer isso, e tampouco eu acredito em ensinar algo que não pratico. Mas algo em mim dizia: não é a hora ainda! E aí que o processo de desconstrução fica ainda mais complicado. Como explicar isso pra mim mesma e para o mundo? Como não me julgar, me cobrando que na verdade isso não passava de uma desculpa, que estava com preguiça de trabalhar, me acomodando?

Eu tinha muito medo de que meu marido pensasse isso de mim. Mas isso era mais um problema meu do que dele, que tem me apoiado sem me questionar desde o início desse processo. Hoje eu finalmente resolvi fazer essa pergunta ao Tarot, diretamente, e tive a confirmação que buscava. Obrigada, Julio Soares, pela ajuda que você tem me dado.

Há uns dois dias atrás publiquei no facebook que estou voltando a estudar. Tenho aulas de desenho e pintura na ABRA e em breve começarei minha pós-graduação em arte terapia pelo IJEP. Eu não sei muito bem onde isso vai me levar, mas estou indo com o fluxo. Ontem, pela primeira vez, tive um insight bastante significativo. Talvez eu não seja tão inconstante profissionalmente assim, apesar das atividades aparentemente desconexas (design gráfico e digital, astrologia e tarot, projetos pessoais na área de fotografia e agora a pintura e a arte terapia). Talvez eu tenha vivido diferentes ASPECTOS de algo maior que mora em mim, e que eu estou a caminho de descobrir. E para que esse algo maior possa nascer, pelo menos na minha jornada, as partes – enquanto atividades profissionais – tiveram que morrer. Talvez esse seja o meu processo de individuação. E talvez a lição mais valiosa que eu esteja levando de tudo isso é estar aprendendo a não me definir pelo que faço, mas me aceitar pelo que sou.

 

Mudança para São Paulo e Ano Sabático

Queridos clientes, ando totalmente sem tempo para atualizar o Blog.  Por motivos pessoais, esse ano de 2016 me mudei para São Paulo e estou lindando com um tanto de questões que me fizeram tomar a decisão de tirar um ano sabático para melhor organizar minha vida e rever meus estudos. Obrigada pela compreensão e desculpem a falta de notícias.

Prognósticos 2106 na TV

Gente, desculpem o atraso. Finalmente consegui um tempinho para postar o Programa que gravei em Dezembro de 2015, com previsões e prognósticos para 2016.

No bloco 1, começamos a falar aos 15 min, no bloco 2 aos 11.
Espero que gostem!

BLOCO 1

 

BLOCO 2

 

 

Na Rádio Gaúcha

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Ontem foi dia de gravação na Rádio Gaúcha. Programa super bacana, não só contemplando as previsões para o próximo ano como também desvendando os bastidores da leitura oracular.

A partir de sexta feira o link do podcast já estará liberado, e disponibilizarei aqui no blog.

 

Previsões 2016 na TV

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Olá! Dia 26/12, das 10:30 às 11:30,  estarei participando como astróloga convidada do Programa da Regina, na Band, dividindo a mesa com mais dois oraculistas onde conversaremos sobre previsões e prognósticos para 2016. Assim que o programa for ao ar, coloco o link aqui para quem não conseguiu assistir!

 

 

Tarot e Erotismo

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Que tal utilizar o Tarot como inspiração erótica?

Confira meu artigo publicado na Revista Personare, onde você encontrará um slideshow ilustrativo com algumas dicas sobre o que cada um dos Arcanos Maiores pode sugerir dentro do universo da sexualidade.

Atraindo o amor

Em busca de um amor? Confira as dicas que dei na minha entrevista para o programa Tudo Mais, na TVCOM RS, para atrair alguém bacana para sua vida.

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http://videos.clicrbs.com.br/rs/tvcom/video/tvcom-tudo-mais/2015/06/tvcom-tudo-mais-astrologa-tarologa-ensina-simpatias-para-atrair-pessoas-especiais/125489/